Thursday, 19 June 2014

Das armas russas

Eles, os russos do Kalisnikov, o fuzil mais usado no mundo, nos venderam 1 bilhão de dólares de armas sofisticadas. Antes, os russos, segundos maiores exportadores de armas do mundo, uma indústria que representa 25 % da produção industrial do país e exporta oficialmente mais de 15 bilhões de dólares, já  venderam ao Brasil helicópteros. Para os quais, aliás, segundo o noticiário, estão faltando peças de reposição. A indústria  bélica  russa, que vendeu recentemente 3.2 bilhões de dólares  para a Venezuela, está se expandindo também na América Latina. A delegação que visitou o Brasil, sob o comando do próprio Ministro da Defesa russo, vai vender armas ao Peru. A decisão brasileira de comprar equipamentos sofisticados russos não é só um negocio, é mudança estratégica de toda a política de defesa e externa brasileira.

Parcialmente, isso tem algo a  ver com os BRICS, a união do Brasil, Rússia, India, China e África do Sul. Alias, a Índia sempre foi o maior mercado para as armas russas. Índia, Brasil e África do Sul, o grupo IBSA, têm uma cooperação exemplar na área militar. E aí fica a pergunta: a maior e mais eficiente cooperação destes países será militar ? No momento, parece assim, sendo que a China ainda não entrou fortemente no mercado de defesa mundial, apesar do forte reaparelhamento de suas forças armadas, acima da média mundial. E parece que estão desenvolvendo juntos aviões de caça, que aliás os russos querem vender ou alugar ao Brasil.

Assim, chegamos ao X do problema. A compra de  aviões de combate, que está se prolongando além do limite do interesse nacional, deixando o país desprotegido, vai definir nossas alianças estratégicas por muito tempo. Se os russos ou franceses, o Presidente Hollande vem ao Brasil para também tentar vender aviões, acham que o caso de espionagem americana abre mais espaço para eles, estão enganados. Os militares brasileiros hoje em dia sabem distinguir bem entre o interesse estratégico do país e um episódio esporádico de espionagem.

No final ainda fica a pergunta nessa história russa: o que vamos vender para russos. Se compramos bilhões de armas, só podemos oferecer carnes, que eles permanentemente rejeitam, em nome de barreiras sanitárias. O fato é que o nosso intercâmbio não aumentará de forma significativa a nosso favor com a compra de armas russas. Precisa ser feita uma parceria mais consiste de desenvolvimento dos dois países. Mas os russos historicamente não criam alianças, nem parcerias, mas abraço de urso.

Stefan B. Salej
17.9.2013.
   

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