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Sunday, 1 March 2026

 Diário do Comércio

Belo Horizonte

Coluna de Stefan Salej – 23.02.2026

Stefan Bogdan Barenboim Salej

Editorial do Diario do Diário do Comércio

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“O Brasil tem que ter um projeto, através de eficiência, eficácia e desenvolvimento econômico, com resultados sociais para a maioria da população. Primeiro tem que reforçar a qualidade da educação, com acesso amplo, adaptando o desenvolvimento tecnológico ao mercado de trabalho. Decidir se vamos ser um país exportador de matérias-primas e commodities ou se vamos começar a produzir produtos industrializados e de valor agregado, seja com mais ou menos tecnologia”.

A receita não é nova, dela tampouco se pode dizer que seja desconhecida embora certamente ande um tanto esquecida. Daí a importância de ser lembrada, tanto mais que pela voz de um industrial conhecido e respeitado, Stefan Salej, ex-presidente da Federação das Indústrias de Minas Gerais (Fiemg). Importante também que seja lembrada, como uma espécie de convite, no preciso momento em que as articulações políticas se aproximam da definição dos candidatos que participarão da corrida eleitoral com chegada prevista para o próximo mês de outubro.

Salej nos fala precisamente do que está faltando, um projeto para o País construído a partir de ideais e centrado na criação de condições para que todos os potenciais da gente e da terra brasileira afinal produzam os frutos que deles podem ser esperados. Algo como abrir e pavimentar a estrada capaz de nos conduzir ao futuro tão aguardado, esforço que, como lembrado agora, necessariamente tem que partir e se sustentar na educação de qualidade.

Lembrança oportuna também por conta do recente acordo firmado pelos países que integram o Mercosul com a Comunidade Europeia destinado a facilitar e expandir relações comerciais e de negócios. Poderá ser um grande avanço desde que o Brasil seja também capaz de recuperar sua proximidade e interação com as mais modernas tecnologias, colocando-se assim em condições de atender mercados mais avançados. Do contrário corre o risco de redução até mesmo de atividades industriais mais básicas para apenas firmar – eternizando – sua condição, quase colonial, de fornecedor de matérias-primas, ainda que destinadas à alimentação.

Com rica experiência recente em seu país natal, a Eslovênia, e atuação ativa na Comunidade Europeia, Stefan Salej conhece a realidade e sabe muito bem do que está falando. Com a vantagem de igualmente conhecer muitíssimo bem o Brasil, de seus gargalos às suas vantagens competitivas. E assim poder advertir, como fez em recente encontro com empresários na Associação Comercial de Minas, que o acordo com a Europa poderá ser muito bom, mas será ruim se o Brasil não tiver um projeto bem estruturado para dar competitividade à sua indústria.

FROM LATIN AMERICA SPINNING, SPINNING


Will Iran be attacked by the United States or not? Anything can happen, or nothing will happen. But, the tension hangs in the air and, meanwhile, the world continues to turn. North American tariffs, which are currently at 10% and will soon reach 15%, are another unpredictability we have in international trade. And then we arrive at our continent, the new old backyard of the powerful neighbor of the North.


Some unwary say that Brazil, more for the wisdom of its government than for the American grace, benefited from the new tariff policy. Nothing more wrong, because we will have numerous other tariff instruments that have not been revoked and, therefore, we are far from being able to say that it is quiet.


The most striking fact this week on the continent was the murder by security forces of the most fearsome Mexican hitman, El Mencho. With her death, the Mexican President consolidated her government with the firm purpose of fighting organized crime, but the country plunged into a wave of murders and riots that can last a long time.


Different disruption had with strikes and protests in Argentina, where the chainsaw owner Milei achieved the impossible: to approve in the Legislature a labor reform, the dream of South American capitalism. And he also approved the agreement between the European Union and Mercosur, something that is on the agenda of Congress in Brasilia, but far from being approved without an additional vacation.


Impressive is what is happening in Venezuela. Maduro and his wife disappeared, no one talks about them, the country has increased oil production, American "experts" control finances and the flow of money and everything else is in holy peace. Some political prisoners were released, Maduro's gang forgot about him and obeys Washington's orders better than many in the United States itself.


Colombia, whose president Petro exchanged some of the worst quality kindnesses with the US president, went to visit him at the White House and they were childhood friends again, since there will be elections in a few months. In fact, in this line, the president of Nicaragua, archenemy of the USA, has disappeared. Not even his wife, vice president, talks anymore. And the Brazilian government announced that President Lula will go to the capital of the continent in March in its new version.


And in Cuba, where there is no more oil, the energy crisis, generating food and health crisis combined with all kinds of Uncle Sam sanctions, problems recognized even in the newspaper of the Communist Party Granma, what will happen? Unofficial sources say that the two parties are talking and the interlocutor is Raul Castro's grandson. The US is pressuring Cubans very hard, but what the solution will be, it's too early to say. The regime change in Cuba would be the fall of the last pawn in the independence albeit relative of the continent of the United States.

Saturday, 28 February 2026

 DA AMÉRICA LATINA GIRANDO, GIRANDO

 

O Irã vai ser ou não atacado pelos Estados Unidos?  Tudo pode acontecer, ou nada vai acontecer. Mas, a tensão paira no ar e, enquanto isso, o mundo continua girando. As tarifas norte-americanas que estão neste momento em 10 % e passarão a 15 % em breve são outra imprevisibilidade que temos no comércio internacional. E aí chegamos ao nosso continente, o novo velho quintal do vizinho poderoso do Norte.

Alguns incautos dizem que o Brasil, mais por sabedoria do seu governo do que pela graça norte-americana, foi beneficiado com a nova política tarifária. Nada mais errado, porque teremos inúmeros outros instrumentos tarifários que não foram revogados e, portanto, estamos longe de poder dizer que está tranquilo.

O fato mais marcante desta semana no continente foi o assassinato por forças de segurança do mais temível sicário mexicano, El Mencho. Com sua morte, a Presidente mexicana consolidou seu governo com o firme propósito de combater o crime organizado, mas o país mergulhou numa onda de assassinatos e distúrbios que pode durar um bom tempo.

Perturbação diferente teve com greves e protestos a Argentina, onde o dono de motosserra Milei conseguiu o impossível: aprovar no Legislativo uma reforma trabalhista, o sonho do capitalismo sul-americano. E aprovou também o acordo entre a União Europeia e o Mercosul, algo que está na pauta do Congresso em Brasília, mas longe de ser aprovado sem um adicional de férias.

Impressionante é o que está acontecendo na Venezuela. Maduro e a esposa sumiram, ninguém fala deles, o país aumentou a produção de petróleo, “experts” americanos controlam as finanças e o fluxo de dinheiro e tudo o mais está em santa paz. Soltaram alguns presos políticos, a turma do Maduro esqueceu dele e obedece às ordens de Washington melhor do que muitos nos próprios Estados Unidos.

A Colômbia, cujo presidente Petro trocou algumas amabilidades da pior qualidade com o presidente dos EUA, foi visitá-lo na Casa Branca e voltaram a ser amigos de infância, já que haverá eleições daqui há alguns meses. Aliás, nesta linha, o presidente da Nicarágua arqui-inimigo dos EUA sumiu. Nem a mulher dele, vice-presidente, fala mais. E o governo brasileiro anunciou que o Presidente Lula vai em março para a capital do continente em sua nova versão.

E em Cuba, onde não tem mais petróleo, a crise energética, gerando crise alimentar e de saúde aliada a todos os tipos de sanções do Tio Sam, problemas reconhecidos mesmo no jornal do Partido Comunista Granma, o que vai acontecer? Dizem fontes não oficiais que as duas partes estão conversando e o interlocutor é o neto do Raul Castro. Os EUA estão pressionando os cubanos com muita dureza, mas qual será a solução, está cedo para dizer. A mudança de regime em Cuba seria a queda do último peão na independência ainda que relativa do continente dos Estados Unidos.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 


Saturday, 21 February 2026

OF THE GOLD THAT SHINES AND DOESN'T SHINE


The carnival drums had another joy this year: Lucas Pinheiro Braathen's gold medal at the Winter Olympic Games in Italy. Giant slalom, king discipline among winter sports. The fact that we have snow for good only in São Joaquim, in Santa Catarina, that the boy was born in Norway, that country rich in oil, full of fjords and owner of the Nobel Peace Prize and a great investor in energy and minerals in Brazil, and that the absolute majority of Brazilians have never seen snow or ski, does not change anything. He is a Brazilian son who knows how to sing the anthem and speaks Portuguese well, dances samba, was rejected by the Norwegians for his Olympic team and found his space with Brazil and won for Brazil. First gold medal in the winter games for Latin America, including countries that, such as Chile and Argentina, have snow.


Since 1980, Brazil has incorporated its 5 million Brazilians living abroad, its diaspora, as part of the Brazilian nation. These Brazilians, today already several generations, live in the USA, two million, then come the European countries and South American neighbors. Brasiguaios in Paraguay, decasséguis in Japan. Every year they send more than 5 billion dollars to the Brazilian coffers. And every year more than 300,000 leave Brazil, nowadays with families and educated people. Not only in Canada you find these Brazilians, but in New Zealand and Australia. It seems that they are not afraid of distance or difficulties in adapting.


Thus, while we are experiencing in Brazil an aging of the population and low population growth, we are with the prospect that in 2030 almost 8 million Brazilians will live abroad, that is, 4% of the Brazilian population. The bleeding from Brazil with the departure of young people with their families, highly qualified, deeply affects our development. The reasons for emigration today are from security, perspective and professional development and last but not least loss of hope that Brazil will offer its children a better perspective. If we add to this the outflow of private savings, deposits of Brazilians in foreign banks, which add up to more than 500 billion dollars, we have a worrying equation to see in our future.


The official Brazilian system of support for Brazilians abroad is somewhat effective through Itamaraty and the Guimarães Rosa Institute, in charge of teaching language and culture. It has Citizens' Councils. And there are many Brazilians who have risen positions in societies not only as executives, sportsmen, artists and entrepreneurs, but also academics. Brazilian abroad is respected as a worker, with his swing and joy.


They don't come back, they go out more and more, and how is Brazil? Proud of your children, but impoverished here.

DO OURO QUE BRILHA E NÃO BRILHA

 

Os tambores de carnaval tiveram este ano mais uma alegria: a medalha de ouro do Lucas Pinheiro Braathen nos Jogos olímpicos de inverno na Itália. Slalom gigante, disciplina rei entre os esportes de inverno. O fato de termos neve de vez enquanto só em São Joaquim, em Santa Catarina, de o menino ter nascido na Noruega, aquele país rico em petróleo, cheio de fiordes e dono do Prêmio Nobel da Paz e grande investidor em energia e minerais no Brasil, e da absoluta maioria de brasileiros nunca ter visto neve nem esqui, não muda nada. É um filho de brasileira que sabe cantar o hino e fala bem português, dança samba, foi rejeitado pelos noruegueses para a sua seleção olímpica e achou seu espaço com o Brasil e ganhou pelo Brasil. Primeira medalha de ouro nos jogos de inverno para a América Latina, incluindo países que, como o Chile e a Argentina, têm neve.

Desde 1980, o Brasil incorporou seus 5 milhões de brasileiros que vivem no exterior, sua diáspora, como parte da nação brasileira. Esses brasileiros, hoje já  várias gerações, vivem no EUA, dois milhões, depois vêm os países europeus e vizinhos sul americanos. Brasiguaios no Paraguai, decasséguis no Japão. Todo ano eles mandam para os cofres brasileiros mais de 5 bilhões de dólares. E fodo ano saem do Brasil  mais  de 300 mil, hoje em dia com famílias e educados. Não só no Canadá você encontra esses brasileiros, mas na Nova Zelândia e Austrália. Parece que não têm medo nem da distância e nem das dificuldades para se adaptar.

Assim, enquanto estamos vivendo no Brasil um  envelhecimento da população e baixo crescimento populacional, estamos com a perspectiva de que em 2030 viverão no exterior quase 8 milhões de brasileiros ou seja 4 % de população brasileira. O sangramento do Brasil com a saída dos jovens com suas famílias, altamente  qualificados, afeta profundamente o nosso desenvolvimento. As razões da emigração hoje são desde segurança, perspectiva e desenvolvimento profissional e last but not least perda de esperança de que o Brasil ofereça para seus filhos um perspectiva melhor. Se a isso somarmos a saída de poupança privada, depósitos de brasileiros nos bancos estrangeiros, que somam mais de 500 bilhões de dólares, temos uma equação preocupante a  ver no nosso futuro.

O sistema oficial brasileiro de apoio aos brasileiros no exterior é um tanto quanto eficaz através do Itamaraty e o Instituto Guimarães Rosa, encarregado do ensino da língua e cultura. Tem Conselhos de cidadãos. E tem muitos brasileiros que galgaram posições nas sociedades não só como executivos, esportistas, artistas e empresários, como também acadêmicos. Brasileiro no exterior é respeitado como trabalhador, com sua ginga e alegria.

Eles não voltam, cada vez saem mais, e como fica o Brasil? Orgulhoso dos seus filhos, mas empobrecido aqui.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 


Friday, 13 February 2026

 OF LIFE THAT IS A CARNIVAL


Peace in Ukraine has not happened yet, the dead buried in Iran are still being cried, the United States blew up another boat in the Pacific, in Cuba everything is missing, even communism, in Venezuela they release and arrest, in Somalia they continue to kill, in Hong Kong they arrest an opponent for 20 years, in Japan the Prime Minister gains a majority in parliament, and so many other news, all overshadowed by the revelations of the documents of the American socialite Epstein. With due forgiveness, they turned on the fan and it's left over for everyone except one, whom they want to protect in every way.


But the most talked about event in the sports area, in addition to the start of the Winter Olympic Games in Italy with good Brazilian representation, was the American football final, SuperBowl. Probably with the exception of the millions of Americans who understand this game, the other citizens enjoyed the Puerto Rican singer Bad Bunny. With a show in Spanish, he showed through music a country that millions in the world want, the United States more equal, more democratic and more united for good with its Latin American neighborhood, starting with its territory, Puerto Rico.


But all this does not overshadow the biggest party in the world that is worldwide consecrated as the greatest carnival in the world, the Rio Carnival. The whole country, whether geographically or by the population, regardless of age, race, religion, etc. performs its physical and mental catharsis. It is a break to release the soul and acquire energy to face the year with its political and economic ills. Through blocks, balls, carnival on the street, and even rest, he fraternizes and equalizes himself. The parades of the samba schools are a show apart. For its organization, participation of thousands of people, its creativity and beauty.


The Brazilian Carnival is the deepest demonstration of the soul, culture, roots, organization, organizational capacity and everything else of the Brazilian people. And like it or not, these values in different forms, regional or racial groups, are inserted in everyday life in Brazil. And also from an economic point of view, it is a phenomenon. More than 15 billion reais are injected into the economy that week. It is true that it is little compared to what has produced some scandals in the financial area in recent months, but it is significant.


There is carnival all over the world. With no jinga, it may even be with more money spent, but none compares to the Brazilian one. Not at all. In South Africa, financed by the billionaires who owen IFood, they wanted to copy the Brazilian carnival. And then they discovered that it has no copyright because Carnival is the soul of its people, it is the expression of its roots, culture. And people like ours, only exist in Brazil, where Carnival itself is the people's, calling the ills that politicians and their termetes from other areas produce carnival is a deep offense to the people. That has another name that can be pronounced and singing, but it can't be written. But, what has, has.

DA VIDA QUE É UM CARNAVAL

 

A paz na Ucrânia não aconteceu ainda, os mortos enterrados no Irã ainda estão sendo chorados, os Estados Unidos explodiram mais um barco no Pacífico, em Cuba falta tudo, até comunismo, na Venezuela soltam e prendem, na Somália continuam matando, em Hong Kong prendem por 20 anos um opositor, no Japão a Primeira ministra ganha maioria no parlamento, e mais tantas outras notícias, todas ofuscadas pelas revelações dos documentos do socialite norte-americano Epstein. Com o devido perdão, ligaram o ventilador e está sobrando para todos com exceção de um, a quem querem proteger de todo jeito.

Mas o evento mais comentado na área esportiva, além do início de Jogos Olímpicos de inverno na Itália  com boa representação brasileira, foi a final de futebol americano, SuperBowl. Provavelmente com exceção dos milhões de norte-americanos que entendem desse jogo, os demais cidadãos curtiram o cantor  porto-riquenho Bad Bunny. Com um show em espanhol, mostrou através da música um país que outros milhões no mundo desejam, os Estados Unidos mais iguais, mais democráticos e mais unidos pelo bem com sua vizinhança latino-americana, começando com seu território, Porto Rico.

Mas, tudo isso não ofusca a maior festa do mundo que é mundialmente consagrado como o maior carnaval do mundo, o Carnaval carioca. O país inteiro, seja geograficamente, seja pela população, independentemente de  idade, raça, religião etc. executa sua catarse  física e mental. É um intervalo para soltar a alma e adquirir energia para enfrentar o ano com suas mazelas de política e economia. Através de blocos, bailes, carnaval na rua, e até descanso, se confraterniza e se iguala. Os desfiles das escolas de samba são um espetáculo à parte. Pela sua organização, participação de milhares de pessoas, sua criatividade e beleza.

O Carnaval brasileiro é a demonstração mais profunda da alma, cultura, raizes, organização, capacidade de organização e tudo mais do povo brasileiro. E queiram ou não, esses valores em formas distintas, regionais ou de grupos raciais, estão inseridos na vida cotidiana no Brasil.E também do ponto de vista econômico, é um fenômeno. Mais de 15 bilhões de reais são injetados na economia naquele semana. É verdade que é pouco diante do que produziram alguns escândalos na área financeira nestes meses, mas é significativo.

 No mundo inteiro tem carnaval. Com jinga nenhuma, pode ser até com mais dinheiro gasto, mas nenhum se compara ao brasileiro. Em nada. Na África do Sul financiado pelos bilionários donos do IFood queriam copiar o carnaval brasileiro. E aí descobriram que não tem copyright porque o Carnaval é a alma do seu povo,  é a expressão de suas raizes, cultura.E povo igual ao nosso, só existe no Brasil, onde o Carnaval mesmo é do povo, chamar as mazelas que os políticos e seus cupinchas das outras áreas produzem de carnaval é profunda ofensa ao povo. Aquilo tem outro nome que pode ser pronunciado e cantando, mas não pode ser escrito. Mas, que tem, tem.