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Friday, 24 July 2026

 OF THE REALITY OF THE TARIFF AND OUR WEAKNESS


The discussion about the US tariff turned, after the thunderous defeat of our team in the World Cup, a national sport. The number of experts who have emerged, who have never produced a nail and much less exported anything, except those who went to Disney, is impressive. And the theme became a debate among politicians intending to have higher positions, without framing the theme in their government program under the title of development and foreign policy with an emphasis on economic relations. If the North American decision was political, with economic effects, even with an exception for 2300 items, then the answer, so think the wise people around here, has to be political.


In crises it is always easier to find an opponent and blame him than to analyze the situation and solve it. Blaming Trump, who does want to have dominion over Brazil, unifying Latin America under his baton, is part of our problem. In fact, his policy is nothing new, nor his attitudes. I have my doubts about how many people in Brazil have read the latest book by NYT reporter Maggie Haberman, Regime change, which explains well how the American government works. And see the case of Canada, which took more tariffs these days. What's more, let's ask ourselves how important we really are to the USA, which currently has conflicts in the Middle East, Ukraine, etc.


The tariff affects the country, but above all it affects companies. And as for retaliation, just remember an old commercial truth: you don't fight with a customer, especially if he is stronger than you. And does anyone have any doubts about who the customer is and his size? We are being deceived by the discussion of the government and the opposition on the subject. The debate should be about our productive base and its ability to compete in these scenarios. Agro in financial difficulties and with El Niño knocking on the door. Uncompetitive industry and interest at the heights, in addition to the overvalued real. Solving situations like these with loans and high interest is to make the situation worse.


Diversification of markets, in which, through Apex, billions are invested, depends on the effort of companies, not only on agreements and government action. If honey producers decide to sell 85% of their export to a single customer, they must also take the risk. A ton of honey costs 3,350 dollars and steel, 600. The government in the crisis can help, but the key is in the company. Our companies, of course there are exceptions, are more motivated to export by buyers than by an expansion strategy. By the way, we are also experiencing this situation with China. And with diversification we have to develop the Brazil brand, we lose in coffee, and brands of the exporters themselves. And then, only in the long term and with a lot of investment and work. Less politics and tears and more sweat with work.

 DA REALIDADE DO TARIFAÇO E A NOSSA FRAQUEZA

A discussão sobre o tarifaço dos EUA virou, após a fragorosa derrota da nossa seleção na Copa, esporte nacional. A quantidade de especialistas que surgiram, que nunca produziram um prego e muito menos exportaram algo, a não ser os que foram à Disney, é impressionante. E o tema virou debate entre políticos pretendendo ter cargos mais altos, sem enquadrar o tema no seu programa de governo sob o título de desenvolvimento e política externa com ênfase nas relações econômicas. Se a decisão norte-americana foi política, com efeitos econômicos, mesmo tendo exceção para 2300 itens, então a resposta, assim pensam os sábios por aqui, tem que ser política.

Nas crises é sempre mais fácil achar um adversário e culpá-lo do que analisar a situação e resolver. Culpar Trump, que sim quer ter domínio sobre o Brasil, unificar América Latina sob batuta dele, é parte do nosso problema. Aliás, a política dele não é nenhuma novidade, nem as suas atitudes. Tenho minhas dúvidas sobre quantas pessoas no Brasil leram o último livro da repórter do NYT, Maggie Haberman, Regime change, que explica bem como funciona o governo americano.E veja o caso do Canadá, que levou mais tarifas estes dias. E mais, vamos nos perguntar quanto de fato somos importantes para os  EUA, que no momento tem conflitos no Oriente Médio, Ucrânia etc.

 

O tarifaço afeta o país, mas sobretudo afeta as empresas. E quanto à retaliação, é só lembrar uma velha verdade comercial: com freguês não se briga, pincipalmente se ele é mais forte do que você.E alguém tem dúvida sobre quem é o cliente e o seu tamanho? Estamos sendo enganados pela discussão do governo e da oposição sobre o assunto. O debate deve ser sobre a nossa base produtiva e sua capacidade de competir nesses cenários. Agro em difficuldades financeiras e com El Niño batendo na porta. Indústria pouco competitiva e juros nas alturas, além do real super-valorizado. Resolver situações como essas com empréstimos e juros altos é  piorar a situação.

Diversificação dos mercados, nos quais, através da Ápex, se investem bilhões, depende do esforço das empresas, não só dos acordos e da ação governamental. Se os produtores de mel resolvem vender 85 % de sua exportação para um cliente só, devem também assumir o risco. Uma tonelada de mel custa 3.350 dólares e de aço, 600.O governo na crise pode ajudar, mas a chave está na empresa.Nossas empresas, claro há exceções, são mais motivadas para exportar pelos compradores do que por uma estratégia de expansão. Aliás, estamos vivendo também essa situação com a China. E com a diversificação tem-se que desenvolver a marca Brasil, perdemos no café, e marcas dos próprios exportadores. E aí, só a longo prazo e com muito investimento e trabalho. Menos politicagem e lágrimas e mais suor com trabalho.

 

 

 


Friday, 17 July 2026

 OF THE MISFORTUNE PROVOKED AND IGNORED


At the moment, as it should be in a country with an educated elite, we are worried about the infernal heat in European countries, such as Spain, France, Greece, among others, and in the United States, where in the World Cup they take an intermediate break to refresh the players while throwing water on the lawn. In summary, in the northern hemisphere the infernal heat, as the cyclists of the Tour de France also say, and the fires, as in the vicinity of Paris, where 2000 ha of one of the most beautiful parks in France, Fontainebleau, were destroyed. In Spain, the fires also caused destruction and deaths.


For some, the misfortune of others is refreshment and the most fierce nationalists in Brazil even say that this is good for us who are grown up and nothing affects us, on the contrary we can only benefit. Total deception, because according to the study sponsored by FAPESP, a São Paulo research funding agency, nine out of ten Brazilian cities have been affected in recent years by climate disasters. Thus, 92% of Brazilian municipalities suffered. And 130 million people, more than half of the Brazilian population, were affected and almost five thousand people died. The economic loss, not to mention social, exceeded 124 billion dollars or 620 billion reais.


Eight months ago, the news of the day was the COP, climate conference in Belém. Does anyone even remember what was decided there, or rather what was not decided? The world today no longer puts the climate issue as a priority. Governments have relaxed environmental standards, starting with the world's biggest polluters, the United States and China, and we are in a save yourself who can. Climate disasters affect the population and the economy as a whole. It is false to say that agriculture will be the most affected. The cities are being destroyed, the glaciers of Switzerland are melting, and groundwater is increasingly scarce. The so-called energy transition was not enough to stop the changes.


In our region we still have this year the El Niño phenomenon, which deeply affects the rains and dry periods, fundamental for the agricultural sector. Well, from disasters we are great, from government failure both in the formulation of relief policies and in prevention, too. No one is discussing investment in infrastructure, not only in Brazil, it is also worn out and without maintenance, for example in Germany and the United States, to avoid deaths and all losses. And in Brazil, it is arguing even less in the campaign about what to do in the future.


At the level of natural disaster prevention, we have a good technical and scientific infrastructure. Now, relying only on the state will not be enough.

 DA DESGRAÇA PROVOCADA E IGNORADA

 No momento, como deve ser num país com elite educada, nos preocupa o infernal calor nos países europeus, como Espanha, França, Grécia entre outros, e nos Estados Unidos, onde na Copa fazem um intervalo intermediário para refrescar os jogadores enquanto jogam água no gramado. Em resumo, pelo hemisfério norte o calor infernal, que também o digam os ciclistas do Tour de France, e as queimadas, como nas redondezas de Paris, onde foram destruídos 2000 ha de um dos parques mais lindos da França, Fontainebleau. Na Espanha também os incêndios provocaram destruição e mortes.

Para alguns, a desgraça alheia é refresco e os mais aguerridos nacionalistas no Brasil até dizem que isso é bom para nós que somos grandes e nada nos afeta, ao contrário só podemos ser beneficiados. Engano total, porque pelo estudo patrocinado pela FAPESP, agência de financiamento de pesquisa paulista, nove entre dez cidades brasileiras foram atingidas nos últimos anos pelos desastres climáticos.  Assim, 92 % dos municípios brasileiros sofreram. E 130 milhões de pessoas, mais de metade de população brasileira, foram afetados e quase cinco mil pessoas morreram. O prejuízo econômico, sem falar de social, ultrapassou 124 bilhões de dólares ou 620 bilhões de reais.

Há oito meses, a notícia do dia era a COP, conferência do clima em Belém. Alguém sequer lembra o que foi decidido lá, ou melhor o que não foi decidido? O mundo hoje não coloca mais a questão climática como a prioridade. Os governos relaxaram os padrões ambientais, começando pelos maiores poluidores do mundo, Estados Unidos e China, e estamos em um salve-se quem puder. Os desastres climáticos afetam a população e a economia como um todo. É falso dizer que a agricultura vai ser a mais afetada. A cidades estão sendo destruídas, as geleiras da Suíça estão derretendo, além de que está cada vez mais escassa a água subterrânea. A chamada transição energética não foi suficiente para deter as mudanças.

Na nossa região temos ainda este ano o fenômeno de El Niño, que afeta profundamente as chuvas e períodos secos, fundamentais para o setor agro. Bem, de desastres estamos ótimos, de falha do governo tanto na formulação de políticas de socorro quanto em prevenir, também. Ninguém está discutindo o investimento em infraestrutura, não só no Brasil, ela também está desgastada e sem manutenção, por exemplo na Alemanha e nos Estados Unidos, para evitar mortes e todos os prejuízos. E no Brasil, está se discutindo ainda menos na campanha sobre o que fazer no futuro.

No nível de prevenção de desastres naturais, temos uma boa infraestrutura técnica e científica. Agora, contar só com o estado, não vai ser suficiente.

 

 

 

 

 

 


Wednesday, 15 July 2026

 DOS TERREMOTOS

O nosso continente tem várias regiões sujeitos a terremotos. Eu mesmo já experimentei essa sensação estranhíssima e apavorante em Santiago de  Chile e na Cidade do México. Mas não escapam também Peru, Ecuador, Colômbia e Venezuela que há semanas sofreu um terremoto com 50 mil desaparecidos, 2000 mil mortos e 4 mil feridos.Esse terremoto que destruiu uma parcela importante. Da capital venezuelana Caracas, seu aeroporto internacional também afetou outras províncias venezuelanas.

O país caribenho, que teve seu presidente sequestrado em janeiro deste ano e que está sob presidência interina da antiga vice presidente do Maduro, Delcy Rodriguez e sob controle dos Estados Unidos, sofreu prejuízos humanos e econômicos enormes. Serão necessários bilhões de dólares e muitos anos, para reconstruir as áreas afetadas e permitir que as pessoas voltam a sua vida pré terremoto.

Brasil, apesar de não concordar com deposição do Maduro, com qual também teve uma relação muito tumultuada, apesar de ser avalista de instalação do chavismo no país, foi dos primeiros a socorrer. Não só mandou ajuda humanitária como remédios, socorristas, especialistas em resgate, mas também montou um completo hospital de campanha.Fez mais bonito do que seleção canarinho na Copa2026: equipes de diversos setores, estados e entidades funcionaram como uma orquestra bem afinada.Soft power. Parece que depois de muitos desastres que tivemos,esse setor de defesa civil se organizou para dentro de limitações que país possui, funciona.

No episódio trágico, foram muitas as ajudas que vieram do mundo inteiro. Israel que também tem muita experiência, lembra de Brumadinho, trouxe equipamentos mais avançados para a procura de vítimas e medições de terrenos e edificações para evitar mais desastres.India, EU, e tantos outros estão presentes nos resgates.Interessante é observar o papel de EUA, que de janeiro quando assumiram a gestão de Venezuela tiraram do pais 8.5 bilhões de dólares de receita de petróleo.Segundo fontes de New York Times esse dinheiro deve voltar para Venezuela para gerar a reconstrução econômica do país.As áreas de extração de petróleo não foram afetadas pelo terremoto.Ai EUA mandaram para reconstrução deste desastre 300 milhões de dólares e 900 soldados. No terremoto no Haiti em 2010, também de grandes proporções, enviaram 7000militares e 3 bilhões de dólares.

Terremoto venezuelano atingiu em cheio o estado e seu governo. Nada funciona, nem resgates, nem hospitais.Mostrou toda a miséria de chavismo inclusive a corrupção a plena luz do dia, os funcionários governamentais, soldados, bombeiros pedindo propina para ajudar.Um estados sob tutela dos EUA, com um regime ante democrático e corrupto além de ineficiente foi atingido tanto fisicamente com tremor de terra, no seu cerne político e institucional.E agora José?

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 


Friday, 3 July 2026

 250 FOURTH OF JULY


No one in this world, in one way or another, has stopped being touched by the United States. Be it product, service, invention, technology, music, movie. Some, like the two million Brazilians who live there, even more so. The American dream. America.


I lived this, a seven-year-old boy, just out of the reformatory for children of the enemies of Yugoslav socialism, when I won, in the first year of primary school, an award for the best text in the class. A pencil with colors and stars of the American flag, with eraser. And later at school, sandwiches with yellow cheese, coming in crates marked with the American flag. Or a movie teaching us how to brush our teeth. And my farewell to Yugoslavia to the sounds of Glenn Miller's band, Pennsylvania 56000.


Exactly 250 years ago the United States of America was founded. A republic, still a slave for a hundred years, whose foundations are based on democratic and republican values that the world of the time, dominated by imperial and imperialist monarchies, did not know. A new country was not founded, but a new model of political and economic management that represented on the one hand a beacon for changes and at the same time a danger to the status quo. The paths traveled not only by territorial consolidation, but above all by political consolidation, had mishaps that, even with the civil war in the country itself, cost many lives. But the United States of America has not only survived, but has consolidated itself as the greatest democratic power in this world in which we live.


According to the British magazine The Economist, it was thanks to the freedom to innovate and undertake, and the solidity of its institutions, that the country achieved this position. A university and educational system supported by advances in research that, associated with a risky economic system, taking advantage of academic results, consolidated the country's leadership not only in production, but in global trade. And there was another important element: immigration. Strong hands and privileged intellects, open doors to lead innovation.


The US does not have colonies, unlike, for example, France, which still has territories such as French Guiana, but has influence through cultural and political soft power, without comparison with any other country. His military interventions, such as participation in the two world wars in the last century, support for coups in Latin America, or the conflict in Korea and Vietnam, and so many more examples, show another face of this leadership of the democratic world.


The 250 years have to be analyzed as a whole, not only by today's events and actions. And especially from the perspective of the future. What would the world be like today if the United States of America had not been founded? And the leadership that was conquered was not manu militari, but by the solidity of its democracy and its institutions, which were and, we must believe, are also today, capable of correcting its deviations and creating conditions of cooperation and peace. We also have no better alternatives in the Western world than this. What forces us on this anniversary for which the American people deserve congratulations, to also be more democratic in our relations. The Republic we celebrate today is not tomorrow's empire.

 250 FOURTH OF JULY

 

Ninguém neste mundo, de uma ou outra forma, deixou de ser tocado pelos Estados Unidos. Seja produto, serviço, invenção, tecnologia, música, filme. Alguns, como os dois milhões de brasileiros que vivem lá, ainda mais. O sonho americano. Amerika.

Vivi isso, menino de sete anos, recém-saído do reformatório para filhos dos inimigos do socialismo iugoslavo, quando ganhei, no primeiro ano do primário, um prêmio pelo melhor texto da classe. Um lápis com cores e estrelas da bandeira americana, com borracha. E mais tarde no colégio, sanduíches com queijo amarelo, vindo em caixotes marcados com a bandeira americana. Ou um filme nos ensinando a escovar os dentes. E minha despedida da Iugoslávia aos sons da banda de Glenn Miller, Pennsylvania 56000.

Há exatos 250 anos foram fundados os United States of America. Uma república, ainda por cem anos escravagista, cujos fundamentos se baseiam nos valores democráticos e republicanos que o mundo da época, dominado pelas monarquias imperiais e imperialistas, não conhecia. Não foi fundado um novo país, mas um novo modelo de gestão política e econômica que representava de um lado um farol para as mudanças e ao mesmo tempo um perigo para o status quo. Os caminhos percorridos não só pela consolidação territorial, mas sobretudo pela consolidação política, tiveram percalços que, inclusive com a guerra civil no próprio país, custaram muitas vidas. Mas, os Estados Unidos da América não só sobreviveram, como se consolidaram como a maior potência democrática neste mundo que vivemos.

Segundo a revista britânica The Economist, foi graças à liberdade de inovar e empreender, e à solidez de suas instituições, que o país alcançou essa posição. Um sistema universitário e educacional apoiado por avanços em pesquisa que, associados a um sistema econômico de risco, aproveitando os resultados acadêmicos, consolidaram a liderança do país não só na produção, mas no comércio global. E teve mais um elemento importante: a imigração. Mãos fortes e intelectos privilegiados, portas abertas para liderar a inovação.

Os EUA não têm colônias, ao contrário, por exemplo, da França, que tem até hoje territórios como a Guiana Francesa, mas tem influência através de soft power cultural e político, sem comparação com qualquer outro país. Suas intervenções militares, como a participação nas duas guerras mundiais, no século passado, o apoio aos golpes na América Latina, ou o conflito na Coreia e Vietnam, e mais tantos exemplos, mostram uma outra face dessa liderança do mundo democrático.

Os 250 anos tem que ser analisados no seu conjunto, não só pelos acontecimentos e ações de hoje. E em especial pela perspectiva do futuro. Como seria o mundo hoje, se não tivessem sido fundados os Estados Unidos de América?  E a liderança que foi conquistada, não foi manu militari, mas pela solidez de sua democracia e de suas instituições, que foram e, devemos acreditar, também são hoje em dia, capazes de corrigir seus desvios e criar condições de cooperação e paz. Também não temos alternativas no mundo ocidental melhores do que essa. O que nos obriga neste aniversário pelo qual o povo americano merece parabéns, a sermos também mais democráticos nas nossas relações. A República que festejamos hoje não é o império de amanhã.