ŠALEJ NO COMMENT
DO SABEM TUDO OU NÃO ENTENDERAM
A eleição brasileira e seus resultados definirão a posição do país no mundo como democracia, com taxa de desenvolvimento crescendo, com paz social, como guardião de sustentabilidade ambiental e como parceiro comercial confiável com a solidez de suas finanças. Ou não? A imprensa internacional, no fundo a imprensa de cada país, analisa e transmite suas observações de acordo com a visão ou, até mais, interesses do seu país. E o Brasil é notícia diariamente nos principais jornais dos países do G 7 e G 20.
A imagem do Brasil alegre, bom de futebol e samba, de garotas de Ipanema, de operário que virou presidente, de militares golpistas e da ditadura, já não é a principal imagem em cabeças pelo mundo afora. Hoje a imprensa no exterior, bem representada pelos mais de 100 correspondentes que atuam no país, relata, na disputa eleitoral, de um lado a disputa ideológica e o fato de termos um candidato de esquerda, com 80 anos, pela quarta vez, também já preso por corrupção, e de outro um candidato herdeiro de um ex-presidente preso por tentativa de golpe do estado.
Enquanto a imprensa chinesa se preocupa com a maior inclinação de um candidato pelos EUA, a imprensa indiana fala em Sul Global e BRICS, e o influente jornal francês Le Monde, sobre democracia e aliança da extrema direita mundial. Também se questiona muito se a política de Trump, com tarifas infringidas ao Brasil, ajudam ao Lula e se o Brasil, com a sua reeleição, será o único país do continente com governo da esquerda, teoricamente não alinhado a Trump. E nessa equação, tanto para a imprensa argentina como espanhola, entra a questão do xingatório e da intromissão de Milei na eleição brasileira.
Um item que parece que saiu da discussão é a transparência da eleição, as urnas eletrônicas e a confiabilidade do sistem eleitoral. A explicação dada pelo Presidente do TSE aos 88 embaixadores acreditados no país foi importante. Nesse contexto, é importante entender que a visão sobre o Brasil, transmitida ao mundo pelas mídias tradicionais, agências de notícias, jornais, TV, rádio e agora TikTok, X ( cujo dono foi xingado pela Primeira Dama) etc. é a visão de cada país ou do segmento social ou econômico para o qual o meio de comunicação se dirige e não a visão que nós temos do Brasil. Se a isso somarmos as embaixadas e consulados, serviços de inteligência, câmaras de comércio, think tanks e também as empresas multinacionais, chegamos a milhares de pessoas que diariamente analisam e informam o que está acontecendo e preveem o que pode acontecer. Ou seja, sabem de tudo, mas agem estritamente dentro de seus interesses políticos ou econômicos. Sabem de tudo,mas a realidade das urnas, só depois de abertas. Mas isso não quer dizer que antes não defendam seus interesses. O Brasil interessa a todos.
Podemos dizer que Brasil está constantemente analisado e até vigiado. Não so durante processo eleitoral, mas sempre. É so nao esquecer inúmeras expedicoes na Amazônia desde século 19 e de uma delas há cem anos ate dirigida por ex Presidente dos EUA Theodor Roosvelt.Ou escuta no governo Obama da Presidente Dilma. O controle dos satélites que vigiam Brasil, dos cabos submarinos, de comunicações na Amazônia com Starlink, dos equipamentos de telecomunicações ( mesmo privadas usam tecnologia chinesa) e mais, estão fora do controle do governo brasileiro. Bilhões de dados sobre Terra Brasiliense estão depositados e analisados fora do país.
Quais serviços de inteligência estrangeiros atuam no Brasil é outra pergunta.Não faz tão tempo que Brasil expulsou espião russo. Mais um grupo que capta informações sobre Brasil.Outro grupo é de instituições financeiras,como FED, banco central americano, bancos centrais de vários países e claro instituições multilaterais como Banco Mundial e BID.
Há também inúmeras empresas de consultoria que são contratadas como também de pesquisas tanto pelos governo como pelas empresas para obter dados e análises sobre perspectiva eleitoral.Muitos de dirigentes de empresas de pesquisas e de consultoria foram alunos de universidades americanas trazendo para o Brasil sofisticados métodos para aperfeiçoar seu trabalho.
A conclusão seria que a imprensa pública, é um dos nós do tecido de informações composto por milhares de sofisticados sistemas e do humint, informações obtidas por pessoas, que compõem o retrato do Brasil. Não se tem dúvida que as informações que os estrangeiros possuem sobre eventos políticos e do tecido político brasileiro com a sua racionalidade, ao contrário das muitas análises brasileiras mais emocionais, formam uma ação mais consistente para atingir seus objetivos. O mundo vê, analisa Brasil, só e tão somente sob a vista de seus interesses. Agora, pensar que são observadores inocentes, é ilusão de ótica. Criam suas alternativas para influir nas eleições. Uma delas é apoio de multinacionais, que no Brasil se tornam empresas nacionais, aos candidatos. E diplomatas jurando em público que seu país não vão interferir, é história do Papai Noel.
Lembrando do episódio que aconteceu no Restaurante Massimo em São Paulo na véspera do primeiro turno da eleição de 2021. Os cinco convidados brasileiros do USTR Zellick foram um dosa maiores banqueiros do país, dois empresários que se tornaram ministros do primeiro governo Lula e um industrial e um representante do mercado.Conversa correu sobre economia e sobre eleições.E a pergunta de todo poderoso Zellick, quem apoiavam, seguiu a pergunta e Estados Unidos. Ele teceu elogios ao José Serra, que acabou de derrotar ele no capítulo de remédios genéricos na reunião de OMC em Doha, mas foi claro que Lula eleito vai precisar mais de Washington para governar que um Serra inteligente e independente.Voilá.
No final na eleição, o juíz final são as urnas.
Eis o título de Bloomberg 27.8.2026.
Deep Dive: The Avatars Shaping Brazil’s Election
No topic is off limits for Dona Maria, a political influencer whose videos have racked up millions of views and thousands of likes in the runup to Brazil’s presidential election in October. The catch: she isn’t human.
- At the forefront of debate on the use of X and WhatsApp in politics, Brazil — one of the world’s most online and polarized democracies — has become a potent testing ground for AI during the campaign.
- The rapid expansion of app-based gig work is reshaping the political landscape in Latin America’s biggest economy, weakening the bond between the ruling Workers’ Party and the working class that once defined it.
- Polls suggest leftist Luiz Inacio Lula da Silva is in danger of losing the office he’s held since January 2023 to a challenge from the right. The votes of delivery drivers and ride-hailing workers have become a central battleground that will help determine his bid for reelection.
- Lula faces right-wing candidate Flávio Bolsonaro, who secured his party’s presidential nomination despite a family feud and allegations linking him to a banking scandal that ensnared much of Brazil’s political class. The son of ex-President Jair Bolsonaro denies any wrongdoing.
STEFAN SALEJ
(Stefan Bogdan Barenboim Šalej)Presidente de Slovenian Global Business Network, Conselheiro do Conselho de Economia da FIESP, Ex Presidente da FIEMG ex Vice Presidente da CNI, empresario e consultor
28.de agosto de 2026
Publicado em:
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