Thursday, 19 June 2014

Da Malacacheta e Davos

Os eleitores do deputado Fabio Ramalho em Malacacheta, no norte de Minas, provavelmente não sabem nem onde fica a aldeia de Davos, na Suíça, e muito menos o que os visitantes fazem naquela cidade. E estes, com certeza absoluta, não tem nenhuma idéia de onde fica essa cidade mineira e de que vivem os seus habitantes. Mas a Presidente Dilma sabe e conhece uns e outros. E vai a Davos ver os seus visitantes, que parecem marcianos aos mineiros do Norte, de tão distantes, para falar do Brasil de Malacacheta. Simples assim, no inverno gelado, com temperatura de dez graus abaixo de zero em Davos e 35 graus acima de zero em Minas.

Lá na Suíça estão o que o Ministro da Fazenda do Brasil chamou de  nervosinhos, ou seja, banqueiros que estão ansiosamente esperando bons números sobre a economia brasileira para investir mais. Os investidores estrangeiros precisam acreditar que o Brasil está indo bem, para colocar mais dinheiro. E Dilma, com sua corte, tentará fazer isso, dar confiança aos mercados. O Fórum Econômico Mundial, um centro de debates e estudos, para o qual a Fundação Dom Cabral de Belo Horizonte prepara estudos sobre Brasil, é uma instituição respeitada pela capacidade de trazer para os seus quase 300 eventos em três dias, no final de cada janeiro, líderes políticos, pensadores e até artistas, para debater o mundo e suas mazelas e alegrias.

Este ano vão falar muito da Síria, Ucrânia, sempre dos Estados Unidos, China, Índia, África do Sul, América Latina, do meio ambiente, de tecnologias e inclusive da espionagem norte-americana. A quantidade de opiniões emitidas  e de conselhos a terceiros é de tal proporção que resolveria os problemas do mundo para no mínimo dois séculos. Mas, no programa oficial na data de hoje, a nossa Presidenta não terá uma sessão especial e exclusiva, como os representantes dos outros países. Claro que isso pode mudar.

O Brasil, que fundou também o ante-Davos, o Fórum social de Porto Alegre, apesar dos dados econômicos nada alvissareiros, é um país importante no cenário mundial. Em Davos, não entra pela porta do fundo. Mas, entrando pela porta de frente, tem que mostrar com seriedade e profissionalismo que merece seu lugar de respeito. O público que estará lá não vota como o de Malacacheta, mas decide eleição. E enquanto uns estão satisfeitos com a Bolsa família, outros querem a Bolsa tubarão. Como convencê-los de que, mesmo não conseguindo os resultados que todos desejamos, podemos conseguir melhores resultados. Pode ser que a verdade, e não a criatividade contábil pública, seja um bom caminho. Nem em Malacacheta e nem em Davos há bobos!

Stefan B. Salej
10.1.2013.

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