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Monday, 2 May 2016

Do dia a dia

Já perdemos a conta de há quantos anos estamos com os negócios em baixa, com o desemprego aumentando, os juros nas alturas,os preços subindo, os políticos procurando soluções e a vida continua. Faltam poucos dias para pelo menos um dos itens dessa agenda, a mudança do governo, dar sinal de uma mudança. Está difícil aguentar este fim, onde a esperança não sumiu. O fato é que os que acham que estamos em um processo golpista não vão mudar de opinião. É claro que não podem achar diferente, porque se aceitarem que está tudo normal, de acordo com as leis e a constituição, vão ter que aceitar que estavam infringindo a lei e por isso estão sendo postos para fora do  Palácio do Planalto. Mas, como demostraram em várias atitudes, inclusive de ameaças ao governo que os sucederá, não estarão fora da vida política brasileira. Aliás, se alguém tem dúvida, a democracia é isso: rotatividade no poder.

Para continuar o dia a dia, só haverá mudança de cúpula do país, que deve demonstrar com ações que veio para fazer diferente, ou seja mudar para valer. É essa mudança vai demorar mais do que queremos. Estamos todos esgotados, impacientes, sem caixa para aguentar. Só a mudança do governo não será suficiente para sentirmos nas empresas mudanças políticas. O desastre em que nos metemos, não se esqueça que foi  em Minas  que foi decidida a eleição que deu mais um mandato à atual ex-futura mandatária, é de proporções desconhecidas. Aliás, como fica o caixa quando se substitui um governo, só sabe aquele que assumiu, depois de sentar na cadeira.Antes, só se desconfia.

Assim, as empresas devem se preparar para dois anos de ajustes macro econômicos e fiscais sem precedentes. Bem, no caso de que o novo governo faça esses ajustes para valer. Aliás, enquanto não se souber se os processos anticorrupção vão continuar com o mesmo ritmo, ou seja se a pressão da Lava-Jato vai continuar, uma coisa está certa para o empresário: as fiscalizações, complicações na área trabalhista, e aumento de taxas e impostos indiretos em todos os níveis, vai aumentar é muito. O governo federal pode fazer alguns cortes na área de pessoal, mas os municípios, na véspera de eleições municipais, não vão fazer.E muito menos os estados. E o atraso de pagamento dos funcionários públicos, perfeitamente compreensível no regime de caixa dos governos, ainda vai aumentar a crise.

Tempos difíceis, mas quem sabe previsíveis nos esperam.Estamos em mudança do modelo institucional, que muda também as relações do dia a dia dos empresários e das empresas.Quem entendeu isso há anos, está atravessando melhor estas agonias de mercado.Mas, quem não entende e acha que só a mudança do governo vai trazer soluções, quiçá um pouco de alívio, terá dificuldade para sobreviver. A mudança do governo no Brasil deve ser uma mudança de um modelo que inclusive privilegie a competitividade, a honestidade, a inserção no comércio mundial e melhores condições de vida para todos.  Qualquer outra coisa vai trazer novas crises, e piores.

Stefan Salej
Consultor Internacional
Ex Presidente do SEBRAE Minas e FIEMG
Federação das Indústrias de Minas Gerais



Friday, 29 April 2016


DA EUROPA EM CRISE E CRESCIMENTO

A União Europeia tem que achar um novo modelo institucional se quiser sobreviver. Mas, é a melhor solução que se tem para manter a paz que já dura há 70 anos, com a breve e sangrenta guerra na Bósnia. Paz não tem preço e há que se lutar por ela. Hoje tem crise de refugiados, de fronteiras, de segurança e do modelo de livre trânsito de mercadorias e pessoas, chamado Schengen, e ainda perdura a crise econômico-financeira. 

Bem, está é de certa maneira a conclusão de um Seminário sobre uma nova constituição para a União Europeia, na bucólica Ljubljana, capital da Eslovênia, membro da União Europeia. O seminário, que contou com especialistas europeus, norte-americanos, sul-africanos e outros, teve  a honrosa presença do Dr. Robert Badinter, ex-Presidente da Corte Constitucional da França, e um dos juristas mais respeitados da Europa. E os eslovenos colocaram na mesa um ousado projeto de futura Constituição dos Estados Unidos da Europa, projeto esse que foi endossado no próprio seminário pelo Presidente da Eslovênia.

Entre as  discussões, inclui-se a visão fora do Continente europeu a respeito da União Europeia. É claro, entraram América Latina e o Caribe. Território que em parte pertence ainda aos poderosa da Europa, Reino Unido, França e Holanda. As Malvinas,e importantes pontos estratégicos na América Latina e no Caribe, são ingleses. A última batalha no continente, com perda de muitas vidas foi, entre a Inglaterra e Argentina, a respeito de Malvinas. Mas, o maior território europeu é a Guiana Francesa. Aliás, a maior, fronteira terrestre da França é com o Brasil. Mesmo assim, não conseguem inaugurar a ponte para ligar os dois países. E as Antilhas Holandesas são lindos paraísos fiscais.

O nosso continente hoje se relaciona mais no âmbito bilateral, em separado, com os países membros da União Europeia do que com a União como um todo e a sua Comissão executiva propriamente dita. As relações ainda tem muita retórica, com predominância absoluta de Espanha e Portugal, muita saudade e pouca parceria eficaz. O Brasil e o México têm parceria estratégica, o Chile e México, acordo de livre comércio, mas o acordo com o Mercosul não anda há 15 anos. E agora, com a perspectiva de um novo governo brasileiro, ainda vai demorar mais um pouco. Não  nos  esqueçamos dos milhares de latinos-americanos, também cidadãos de  países da União Europeia (inclusiva da família da ex-primeira dama Marisa Letícia Lula da Silva) e do eldorado que representamos para os investimentos europeus. Em lugar nenhum do mundo ganham tanto.

A Europa, que já provocou duas guerras mundiais, não nos interessa em crise. Ela é nosso parceiro natural, histórico, e equilibra bem nossas relações com os Estados Unidos e outros, como a China e a Rússia. Mas, ela tem que achar um caminho fora da estagnação e das crises internas. O próximo referendo no Reino Unido sobre sua permanência na União Europeia será crucial, porque se a Grão Bretanha sair, apesar de que De Gaulle insistia em que ela não devia entrar, a União Europeia vai ficar como?

Stefan Salej
21.4.2016.


Da corrupção  grande e pequena

A coisa mais fácil do mundo é ficar revoltado com a corrupção nas grandes esferas da nação. Na Petrobras, na Eletrobrás, nos trens e nas merendas escolares, ou então na Volkswagen, falsificando os dados de emissão nos motores diesel nos Estados Unidos. Quanto maior o escândalo, maior a nossa revolta. Parece que quando nos revoltamos por esses casos, gritamos contra a injustiça, contra as desigualdade e os prejuízos que tivemos como cidadãos. E gritamos contra pessoas que não conhecemos, nunca vimos e queremos punição. Então, quando estão envolvidos políticos, a revolta quase alegre é o ápice de nossa satisfação de sermos contra. São todos ladrões, e mais todos os outros adjetivos, sequer publicáveis.

Bem, isso não é só comum no Brasil. No mundo inteiro, as pessoas preferem se revoltar contra quem não conhecem, que estão lá no Olimpo, e que nunca viram ou trataram com eles na vida. São os inatingíveis, que passam a ser atingidos por cada um de nós.

Há  diferença entre roubo grande ou a corrupção do dia a dia que enfrentamos? Do ponto de vista ético, não. As duas são iguais na origem de desrespeito à lei, regras da sociedade e prejuízo à comunidade. Mas, somos bem mais tolerantes  com esta pequena corrupção, que nos traz benefícios pessoais, empresariais e quiçá políticos.Alguns chamam isso de jeitinho, outros de ajuda na vida cotidiana, outros de que se não fizer, não vai fazer negócio.

O fato é que somos mestres de enxergar o que acontece com os outros, mas queremos perdão para nós mesmos pelos fatos idênticos, mas em menor escala. Quanta comissão é distribuída entre vendedores e compradores, com ou sem conhecimento da direção da empresa? A tolerância, por exemplo, muito comum com as empresas espanholas, é enorme. Desde que eu produza os lucros exigidos, não interessa, se o outro, legalmente ou não, ganha uns extras. Há enorme tolerância nisso, com a desculpa, se não fizer e entrar no jogo, perco o negócio. Mas, esquecemos que quando faz, não há volta, não há cura, o turbilhão de corrupção gira e gira e não volta. E quem controla seu negócio é o corruptor e não você.

Não existe entre nós firme a convicção de que, quando corrompemos, somos tão corruptos quanto os corrompidos. Queremos nos fazer de vítimas de um sistema que nos mesmo criamos e do qual temos a ilusão de nos termos beneficiado. Não percebemos que entregamos a alma do nosso negócio ao diabo, que não a devolve mais.

Interessante nisso é que tudo passa ser natural. De repente, não sabemos mais fazer negócios de uma maneira transparente, limpa. O modelo de negócio tem como base um sistema nefasto.São fiscais, são compradores, são sócios, é a família, são os vendedores, é o produto com defeito, e mais e mais.

E esperar agora que o Brasil vá ser melhor com algumas mudanças políticas, sem mudar a insignificante  porém significativa corrupção do dia a dia, é uma ilusão. Cada um de nós deve ser o Moro na sua área de influência.

Stefan Salej
Consultor internacional
Ex Presidente de SEBRAE Minas e da FIEMG



DO  GOLPE E DO GOVERNO NOVO

Na lista de prioridades do mundo, a crise brasileira preocupa, mas está longe de ser a primeira. Os britânicos, que festejaram os 90 anos da Rainha Elisabeth, estão se digladiando para saber se continuam na União Europeia ou não. Nos Estados Unidos, está em curso a escolha de candidatos presidenciais para  as eleições em novembro. Hilllary Clinton ou Donal Trump, escolhas que podem, após as eleições, mudar, a face do mundo. E ainda está em curso a negociação de um acordo de livre comércio entre a União Européia e os Estados Unidos. Com a eventual saída da Grão Bretanha da União Europeia, não totalmente impossível, todo o cenário mundial muda. E a Europa continua, em especial os países mediterrâneos, como a Itália, continuam sob pressão da imigração Síria, afegã e outras. A Áustria fechou as suas fronteiras e a Alemanha, que absorveu a maior parte dos imigrantes, também está revendo as suas políticas. Sobra a China, com o reordenamento do seu crescimento, sem falar na Coréia do Norte, ameaçando permanentemente o mundo com lançamentos de mísseis de longo alcance. E mais e mais conflitos na África, Ucrânia, terrorismo islâmico sem controle e com ataques inesperados.

Nesse mapa, a crise brasileira, inclusive comparada a venezuelana, parece como crise light. O processo de impeachment tem um curso legal, conhecido e compreendido por quem quer compreender.Isso inclui os atores econômicos no mundo inteiro. Os atores políticos, que estão falando e repetindo que tem golpe, não se convencem que não há, e a narrativa vai continuar, mas nesta altura dos acontecimentos não vai mudar o rumo do processo e nem a percepção dos agentes econômicos de que as mudanças políticas vão provocar mudanças econômicas. Mesmo que tudo só seja definitivo após o processo terminar e as nomeações dos responsáveis para a execução das políticas econômicas só válidas após a publicação no Diário Oficial da União, as apostas para as mudanças já estão em curso.

Em recente publicação do Fundo Monetário Internacional, o famigerado FMI, falam em resiliência da economia brasileira, ou seja da sua capacidade de reagir. Os investimentos estrangeiros diretos, independentemente da crise política, cresceram neste ano, o balanço comercial teve superávits, mesmo que seja provocado pela queda de importações, e as reservas são sólidas. E o Brasil continua com alguns potenciais de desenvolvimentos únicos no mundo.

A euforia inicial gerando especulação nos mercados terá que dar espaço a uma realidade dura de ajustes, tanto na esfera governamental como no setor privado.De fato, vamos ter que reinventar o país, porque inclusive não sabemos quão profundo é o buraco que nos deixaram. Não vai bastar só mudar as pessoas, teremos que mudar o modelo e não há dúvida de que vamos contar com apoio do exterior para isso. 

Stefan Salej
29.4.2016.



Friday, 15 April 2016

DO BRASIL VISTO DE FORA

DO BRASIL VISTO DE FORA

O Brasil não é um país qualquer. Não só é antiga potência em futebol, mas ainda é grande celeiro de música, organizador  dos próximos Jogos Olímpicos e  Para –Olímpicos no Rio de Janeiro, pais de 200 milhões de habitantes e uma costa de mais 8 mil quilômetros e um território de 8.5 milhões de quilômetros quadrados. É a oitava economia do mundo, presente com suas representações diplomáticas em mais de 150  países. É uma terra que acolheu milhares de imigrantes do mundo inteiro, lar de milhares de empresas estrangeiras de todos os cantos do mundo. E o fornecedor de alimentos mais importante do mundo.

BRASIL  se escreve no mundo com letras maiúsculas, e se pronuncia com respeito! Em, tem zica, dengue, tuberculose, N1H1 e não sei mais o que, está  atrasado em competitvidade e vive uma das maiores crises da sua historia. A economia está despencando, as empresas, fechando, o número de desempregados,  aumentando, e os processos anti-corrupção aparecendo cada dia mais, com mais presos e mais acusações. Em resumo, um retrato difícil de dizer animador.

O sistema político está em polvorosa, tentando encontrar seus caminhos para a crise  que ele mesmo criou, nefasta em todos os setores. Um país  que, através de instrumentos constitucionais procura soluções dentro do regime democrático. Bonito, e creio verdadeiro, mas nem todos no mundo estão, como também não no Brasil, crentes que a solução através de impeachment, foi constitucional e democrática. O Brasil, com suas fraquezas, que vão desde zica até rebuliço político, é hoje noticia e preocupação de todos os governos do mundo. Todos estão preocupados, não só com o que acontece hoje no Congresso, mas qual é o futuro. O que os atores políticos vão fazer, que alianças serão feitas e quais reformas passarão pelo Congresso após o impeachment.

Algo que o mundo quer saber é se as pedaladas fiscais (algo totalmente incompreensível para qualquer economista de país  serio e um bom exemplo para os não sérios, onde não tem leis de responsabilidade fiscal) são o único pecado de política monetária. Se por acaso não estamos presenciando  o fenômeno argentino de falsificação de dados estatísticos. Temos mesmo as reservas que dizem que temos? O déficit é esse mesmo, ou foi maquiado?
O mundo inteiro quer que Brasil saia desse círculo vicioso e volte a se estabilizar, crescendo. BRASIL se escreve no mundo inteiro com letras maiúsculas. Agora, só falta ser um país  com letras maiúsculas.

STEFAN SALEJ

Sunday, 10 April 2016

DO IMPEACHEMENT, A FAVOR E CONTRA

As próximas semanas vão encher os nossos ouvidos e olhos com o processo de impeachment da Dilma Rousseff, Presidente ou Presidenta da República Federativa do Brasil. Por mais que nos isolemos, dedicarmos à família, futebol, música e negócios, esse é o assunto do dia, da semana e do mês. E com a queda da produção, o aumento do custo de vida, o desemprego, os juros e a falta de crédito para empresas, a queda do mercado, a instabilidade política que bate na porta de todos nós, não há como fugir, não há como se isolar. Todos estamos ansiosos para que essa agonia acabe, e os últimos três anos de desgoverno se transformem em uma nova perspectiva. Pelo menos, uma lanterna no fim do túnel da desgraça  econômica e social em que nos encontramos. Hoje essa lanterna fica piscando, sem sabermos se vai acender definitivamente ou não. Em resumo, tempo angustiante que nos leva a defender o nosso emprego, negócio é a nossa família. Em resumo, estamos todos na retranca.

Ampak, ou seja, mas, você tem seus papel nesses eventos. Aparentemente, são os deputados e senadores, coitados tiveram que trabalhar uma noite inteira e no fim de semana (algo que você como empresário faz 52 vezes por ano), que vão decidir o que vai acontecer. Pelo passado recente, só podemos desconfiar dessas decisões. E elas não nos dão nenhuma garantia, pelos discursos que vimos, de que as  mudanças que vêm garantem uma saída da crise, que consolide o crescimento do país, gerando emprego. Mas, eles são soberanos em sua decisão, como também os membros do judiciário. Uma vez entronizados no cargo, podem fazer o que quiserem, sem dar nenhuma satisfação a seja quem for. 

Isso é a verdade aparente. Numa democracia, a opinião pública pesa. E pesa muito para os políticos. Mesmo que, com a eleição, tenham ganho passe livre para tomarem decisões e agirem como quiserem, sabem que, dependendo de como votarem agora, podem ter ou não futuro político. No fundo, mesmo oferecidas as vantagens pessoais e cargos, se votarem diferentemente dos seus eleitores, perdem votos e perdem espaço político.

E aí mora perigo. Você eleitor sabe quem é seu deputado ou senador? Você, em especial empresário, expressou fora da gritaria na rua e na sua roda de amigos ou inimigos, sua indignação ou não, ao seu político? Provavelmente não. As pesquisas mostram que 95 % dos eleitores esqueceram o nome do político que elegeram.

Agora é a hora de se pronunciar. De dizer a ele o que você pensa, encher o telefone dele e  mail com sua opinião, ficar atento nos seus discursos, nas suas barganhas com cargos. Não basta criticar  e gritar, você tem que agir como cidadão. Porque se você não fizer isso, vai prevalecer o interesse individual, seja na sua entidade de classe, seja com seu político. Seja cidadão e exerça a cidadania. Simples, só isso. Aí sim, você pode influenciar e decidir.

Friday, 8 April 2016

DO PERU INQUEITO E DEMOCRÁTICO

DO PERU INQUEITO E DEMOCRÁTICO

Nosso vizinho amazônico passou 25 anos de relativa tranquilidade. Após  sangrenta luta contra a guerrilha Sandero Luminoso, não menos sanguinário, o democraticamente eleito presidente Fujimori foi preso por corrupção. Mas, o fujimorismo, que deu certa estabilidade econômica, continua vivo, aparecendo já pela segunda vez nas eleições presidenciais, com forte possibilidade de ganhar. A filha do Alberto, Keiko Fujimori, quase ganhou as eleições em 2011, e desta vez está com 45 % da intenções de votos.

Provavelmente, neste domingo, nas eleições gerais, a decisão irá para segundo turno. Há dois meses, havia candidatos muito fortes para derrotar Keiko, mas o Tribunal Eleitoral surpreendentemente cassou os dois: Guzman e Acuña. A cassação, do tipo latino-americano, sem ser compreendida por seja quem for, favoreceu Keiko e a outra candidata de esquerda, neo-chavista, Veronika Mendoza, que está ganhando nas pesquisas e, assim, é muito provável um segundo turno entre as duas.

Ou seja, fujimorismo, de direita, versus uma esquerda chavista, cujo modelo de gestão fracassou na América Latina. O Peru, que nos últimos 15  anos aumentou a renda per capita anualmente em 3 %, reduziu os níveis de  pobreza de 55 % em 2001 para 22 % em 2014, teve um crescimento bom e está enfrentando, com os preços baixos das matérias primas, um reajuste brutal da sua economia. Mesmo que as finanças públicas estejam em ordem, a dívida pública baixou de 37 % do PIB em  2000 para 3.6 % em 2014 ( para fazer inveja ao Brasil ), o país precisa de reformas e melhorar muito a saúde e a educação. E a infra-estrutura, que ainda anda atrasada, principalmente na integração física do país .

A eleição peruana tem ainda as características de instabilidade típicas dos países da região. Interferência  da Comissão Eleitoral na véspera de eleições com critérios dúbios,  e agressões dos candidatos (o ex- Presidente Alan Garcia xingou o candidato P.P.Kuscinsky, PPK, alegando que quem tem sangue judeu não pode ser presidente peruano), levaram a um duelo final de previsões incertas. O medo da volta do fujimorismo clássico ou da entrada do neo-chavismo, com Mendez, de 35 anos,  dão a dimensão do problema que a América do Sul vai enfrentar.

O Peru representa para Brasil um excelente mercado e, durante a campanha, as empresas de engenharia brasileiras foram acusadas, em função das investigações da Lava Jato, de financiarem a campanha presidencial. De que maneira essas investigações vão prosseguir e quais oportunidades vão se oferecer às  empresas brasileiras, só saberemos depois que as urnas abrirem.  Mas, só depois do segundo turno vamos saber qual será  a nossa nova relação com o vizinho amazônico na Costa Pacifica.

STEFAN SALEJ

8.4.2016.


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