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Saturday, 3 October 2026

 DA BENDITA URNA

No folclore político mineiro conta-se a estória de três coisas de que você só sabe o resultado depois de abrir:  mineração, barriga de mulher no parto e urna. A última foi tema intenso e extenso nas últimas eleições presidenciais no Brasil. O sistema eleitoral como um todo foi posto em xeque. Agora vamos esperar os resultados e aí poderão novamente ser abertas as discussões acaloradas sobre a confiabilidade das urnas eletrônicas. Por outro lado, é um alívio saber, tanto para os candidatos quanto para os eleitores, em tempo relativamente rápido, os resultados. Nesse ponto o sistema eleitoral brasileiro pode ser considerado avançado.

A absoluta maioria dos países adota sistema eleitoral diferente do Brasil. E muitas vezes eles são sistemas mistos, como por exemplo o dos Estados Unidos, que inclusive leva em consideração as diferenças entre os estados. É só lembrar a disputa entre George W. Bush e Al Gore. Os votos contados um por um na Flórida. Ou a contestação das penúltimas eleições, Trump- Biden. E a eterna discussão sobre o voto pelos correios.

 Muitos países, como EUA, Índia, França, ao contrário de Butão, Bangladesh, El Salvador e Brasil, usam sistemas mistos. O sistema mais avançado é o da Estônia, votação por internet, i-voting. Não tem posto de votação, você vota do seu celular. E até agora ninguém reclamou. Talvez vale a pena lembrar as palavras do ditador russo Stálin, que disse que não importa quem vota, mas quem conta os votos.

Os protestos e as acusações de fraudes nas eleições sempre partem dos perdedores.  As últimas eleições na Venezuela, com Maduro eleito, esculhambaram com tudo o que se possa imaginar como eleições honestas. Foi montado um sistema ante-oposição, cujo resultado final nas eleições foi a contestação geral do modo eleitoral. A oposição demonstrou que a contagem dos votos foi manipulada de forma tão grosseira e vergonhosa, independentemente das urnas, que são parte física do sistema eleitoral. Urna eletrônica ou não, um sistema que é corrupto manipula as eleições.

As eleições são sempre muito observadas por diplomatas e serviços de inteligência. Também vêm observadores internacionais. No caso da Venezuela, foi o Carter Center dos EUA que levantou a fraude. Eles, assim como observadores da OEA, UE, Mercosul e até Liga árabe. Aliás, vendo como andam as democracias por lá, deve ser bem interessante saber o que vão observar.

Mas, está entrando na nossa vida a Inteligência Artificial. Quando entrar também na contagem de voto, há uma pergunta que faz parte da resposta, já que ela já entrou com toda força nas pesquisas eleitorais e campanhas. Bendita urna, pedra lapidar da democracia, cuide-se.

 

 

 


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