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Sunday, 14 February 2016

DA INACREDITÁVEL FALTA DE PATRIOTISMO DO CONFAZ

DA INACREDITÁVEL FALTA DE PATRIOTISMO DO CONFAZ

As situações complexas possuem uma incrível simplicidade nas suas soluções. Milhares de mineiros morando fora da terra natal querem comprar produtos mineiros. Sejam doces, seja artesanato, cachaça,  seja o que for que nos lembra a terra, mata saudade e também desenvolve a economia. Você pode fazer isso numa loja ou, hoje em dia, você faz isso via sites de comércio eletrônico. Desculpe, você podia fazer compras via internet até  recentemente, porque no dia 1° de janeiro deste ano entrou em vigor uma nova regulamentação de vendas através do chamado comércio eletrônico que exige documentação adicional para vendas fora do estado de origem, que praticamente elimina o comércio  eletrônico. Pode não afetar o comércio eletrônico de gigantes, mas todos os especialistas estão de acordo que acaba com uso de comércio eletrônico para pequenas empresas.

A regulamentação, que é obra de Conselho Nacional de Política Fazendária, composto  pela alta cúpula do Ministério da Fazenda e mais todos secretários da fazenda dos estados, que decide só por consenso sobre impostos como ICMS, está já sendo contestada pela Confederação Nacional do Comercio e a OAB. A alegação é de inconstitucionalidade, por sinal o SEBRAE, através do seu Presidente Guilherme Afif, também contesta a sua validade jurídica, mas há uma outra questão mais importante em pauta.

Como um órgão com tanta gente importante, inteligente, com tantos títulos acadêmicos e experiência, o nosso secretário da fazenda, por exemplo, tem doutorado em economia na Inglaterra, pode, no meio de uma crise econômica como a que estamos passando, vir com uma legislação tão torpe, idiota, retrograda e anti-brasileira. Onde estavam os assessores que ajudaram a fazer esta legislação? E onde estavam os assessores das entidades empresariais, como CNI, CNA e outras, que deixaram escapar uma barbaridade intelectual desta natureza?

Não se trata de regulamentar, isso deve ser feito, e nem de aumento de burocracia, trata-se de, simplesmente, ao invés de aumentar as possibilidades de negócios através de e-commerce, ampliar os mercados para as empresas  e mudar o paradigma de se fazer negócios, frear o desenvolvimento das empresas. Trata-se de criar uma barreira a um comércio sem limites e ao aumento do grau de digitalização das nossas empresas. Isso sim que é o problema. E os nossos parlamentares, estavam onde nessa hora para entender de que se trata? E as entidades empresariais, das quais ainda muitas não entenderam para onde o mundo vai, estavam onde?  O CONFAZ cumpriu o seu papel, mal, mas os outros também dormiram  no ponto.

Friday, 12 February 2016

DA NOSSA SIRIA

DA NOSSA SÍRIA


É absolutamente impressionante que uma tragédia como a que está  acontecendo na Síria passe à  margem dos nossos sentimentos, preocupações  e do nosso futuro. A Síria, que faz parte importante de evolução da humanidade, que por circunstâncias do passado deu a oportunidade a inúmeros sírios de se instalarem no Brasil e ajudarem na construção do país, é hoje, após cinco anos de guerra, um país destruído.
Os números da destruição são absolutamente estarrecedores: 400.000 mortos, 2 milhões de feridos, 4.5 milhões de refugiados, 80 % das crianças têm alguém morto na família e 60 % delas assistiram à violência da guerra. Em uma semana, a cidade de Alepo sofreu 510 ataques aéreos. Russos. Cidades destruídas, pessoas destruídas, pais destruído.

Rússia e Estados Unidos, junto com 17 países e grupos rebeldes que lutam contra o Presidente Assad, chegaram a um consenso esta semana, que, segundo um diplomata anônimo, valem só papel e tinta, para um cessar fogo e, em especial, acesso de ajuda humanitária. O acordo não vale para os grupos terroristas da Al Caída e do Estado islâmico. Mas, para entender melhor a guerra, porque isso já não é mais um conflito armado, devemos olhar quem é quem contra quem.

Os Estados Unidos, Reino Unido e França apoiam grupos rebeldes contra o atual regime. A Rússia, que tem uma base militar no país, junto com a Turquia, Arábia Saudita, Irã e Qatar (aquele da Copa daqui a 7 anos), apoiam o atual regime. E mais, o Nusra e o Estado Islâmico não apoiam ninguém, mas querem  conquistar seu espaço territorial e político. Em resumo, no fundo, os aliados dos Estados Unidos como a Turquia, Qatar e Arábia Saudita, lutam junto com Rússia contra os Estados Unidos que querem derrubar o atual regime. Estamos assistindo a uma guerra  entre grandes potências, em que parece que já esqueceram por que estão lutando.

O acordo desta semana é importante porque pode eventualmente levar a uma solução diplomática para colocar um fim a tragédia do século 21.Ou não. No fundo, a guerra síria transbordou com os refugiados invadindo a Europa, as fronteiras de tolerância que os países podem ter com os  conflitos. Mas ai a Europa, que esta investindo bilhões para aliviar a crise de refugiados, não está conseguindo  colocar fim ao conflito entre grande potências e interesses regionais.

O Brasil participou  da conferência anterior sobre ajuda à Síria, recebeu refugiados, mas toda América Latina está fora do conflito. Ainda não se pode dizer com certeza que não nos afeta. Ou quanto nos afeta.

STEFAN SALEJ
12.2.2015.





Friday, 5 February 2016

DO ACORDO TRANSPACIFICO

DO ACORDO TRANSPACÍFICO

O negócio é simples: um exportador de macadâmia do Brasil, que hoje exporta para os 12 países signatárias do TPP – acordo de parceria transpacífica - em relativa igualdade de condições, vai perder seu mercado. Seus produtos serão taxados, e os produtos dos seus concorrentes desses países, não. Ou seja, hoje o seu produto e o da Austrália pagam a mesma taxa de importação nos Estados Unidos. Amanhã, o da Austrália será zerado, e do Brasil vai pagar 20 %.

Outro caso é o do café brasileiro, a ser exportado para o Japão e os Estados Unidos. Os cafés do Peru, México e Indonésia, não vão pagar nenhuma taxa. O do Brasil, sim. Quando o acordo, do qual Brasil não faz parte, for retificado pelos parlamentos dos doze países, e entrar em vigor, 70 % das taxas de importação serão zeradas. Ate 2030, 99 % do comércio entre países será feito com taxa zero. E os países do acordo perfazem 23 % do total do comércio mundial e 36 % do PIB do mundo.  E podemos citar mais e mais produtos brasileiros, tanto industriais como commodities, cujas exportações para esses países serão afetadas.

Quanto e como, até agora não se viu, além de muito espanto e alguns estudos preliminares, nada por parte dos envolvidos no Brasil. Aqui, ficamos surpresos com o acordo, depois de cinco anos de negociações, e ainda não sabemos em quanto vai reduzir nosso já reduzido PIB. No caso de Estados Unidos, a parceria transpacífica vai acrescentar 0.5% no PIB e 9.1% de aumento de exportações. Vai crescer o emprego na área de serviços, mas não na indústria. Em resumo, todos os países vão se beneficiar do acordo.

No caso brasileiro, estamos aguardando as ações do governo. Do governo que liquidou ALCA, e não consegui  fechar acordo entre o Mercosul e a União Europeia, e nos isolou do mundo. Portanto, esperar o quê,  a não ser  uns acordinhos como com Colômbia, na área automotiva, para mais uma vez beneficiar um setor que  ganhou mais benefícios do que o Bolsa Família.

Se os empresários não se preparem para esses desafios, e parece que as Confederações da Indústria  e Agricultura ainda não têm plano de ação, só se pode esperar um desastre maior do que o de Mariana. Não sabemos reagir aos acordos que se fazem, ainda falta acordo entre a União Europeia  e osso  Estados Unidos,  e nem construímos os nossos. Empresariado espera governo, e este não é  exportador. Então que os exportadores ajam!

Monday, 1 February 2016

DO DENGUE E ZICA

DA DENGUE E DO ZICA

Nos últimos dias, vários interlocutores do exterior, desde a África do Sul Israel, Barbados, e Europa, me perguntavam apavorados  sobre a dengue e o Zica. Alguns deles querendo vir, ou seus parentes e amigos, para os próximos Jogos Olímpicos no Rio, daqui a cinco meses. Ou para o Carnaval, na próxima semana. E dizer o que? Que não tem perigo? Pode vir sem medo e susto?

Os dados estão ai e os doentes também. A dengue está  se arrastando há  décadas e o Zica deu um novo impulso.  E se a isso tudo adicionarmos altos índices de tuberculose, sífilis congênita, aids, e mais algumas doenças que desconhecemos, podemos dizer com a maior tranquilidade que somos um país em permanente crise de saúde. Sem falar em obesidade, doenças de coração e diabetes.

Que a saúde publica e os combates a essas epidemias  nestes últimos doze anos não foram a prioridade de nenhum governo, está demostrado pelo resultado infeliz que estamos presenciando neste momento. E mostra também que na hora de falar em eleições municipais, falamos de pessoas, candidatos, mas nada de políticas públicas de saúde. Mas, não devemos esquecer que no passado já nos deparamos com a febre amarela e a doença de chagas, além da poliomielite, que de certa forma foram erradicadas. Ou seja houve esforço, e houve resultado.

Não podemos esquecer que esse combate  acontece fora do país, já que a vacina contra a dengue vem da Franca, e o mosquito geneticamente modificado para combater o mosquito transmissor de dengue está sendo produzido em Piracicaba, no Estado de São Paulo, por uma empresa britânica. E a vacina contra o Zica está  sendo pesquisada nos Estados Unidos.

Essas epidemias reduzem a nossa capacidade de trabalhar, a nossa capacidade de receber turistas, e a nossa capacidade de nos movimentarmos pelo mundo, já que somos oriundos de uma área contaminada. A coisa é muito mais séria  do que estamos percebendo.

Cabe em muito a pergunta, por que está acontecendo. Parte da resposta é que a limpeza, tanto nas nossas casas como no ambiente externo em termos do país  como um todo, cria um passivo sanitário que provoca essas e outras doenças. Nada de novo na história da humanidade, que já  passou por algumas epidemias mais mortais, como a peste negra, na Idade Média, e o ebola mais recentemente.

Nos vamos ter que enfrentar o problema hoje e também amanhã. Provavelmente, o empresariado com suas entidades sociais como o SESI, SESC, SENAI e outras, podem, em vez de financiar réveillons e carnavais, como foi o caso da Escola de samba com enredo da Estrada Real, ajudar em soluções de saúde pública, pelos menos para seus trabalhadores.

Friday, 29 January 2016

DA PÉRSIA E IRÃ

DA PÉRSIA E IRÃ

A milenar história  da Pérsia, um país  de extraordinária contribuição à  humanidade, continua nestes dias no Irã, após o acordo nuclear entre as potências mundiais voltando à cena mundial. Passados 16 anos sem visita de nenhum presidente iraniano, finalmente o atual Rouhani visita a França, oVaticano e a Itália. Independentemente do protestos de ativistas de direitos humanos pela Europa afora e de estatuas  na Itália cobertas para não ofender os visitantes, ou do almoço presidencial na França  cancelado porque os franceses não retiraram do menu o vinho, proibido para os muçulmanos,  a volta foi um sucesso de negócios.

Os negócios que os italianos fecharam ficaram bem mais discretos do que os dos franceses. A venda de 114 aviões Airbus no valor aproximado de 25 bilhões de dólares, mais a abertura  de fábrica da Peugeot-Citroen, com investimentos de 400 milhões de euros, além de negócios na área de ferrovias e infra estrutura, são para os franceses um real refresco na economia,  que precisa de gerar empregos. Os europeus estão correndo atrás de negócios no Irã após o levantamento de sanções, como se o país tivesse sido descoberto ontem, e não um parceiro secular.

A Europa abriu as portas, créditos para o Irã, os Estados Unidos ainda não chegaram com todo o seu potencial econômico , e o  preço do petróleo que sustenta a economia iraniana está só caindo. Ou seja, os negócios se fazem na base de crédito governamental com garantias dos governos  para os exportadores. Isso vale também para a Siemens, que fechou um contrato de 1.6  bilhões de euros.

Mas, a parte política e a inserção do Irã, um player fundamental no Oriente Médio, ainda estão longe de serem resolvidas. O Irã  vai continuar todo o esforço para ser uma potência militar na região e em nada reduziu sua animosidade contra Israel. E nem os países europeus exigiram dele que eliminasse as ameaças contra Israel. Aliás, nisso acompanharam os Estados Unidos.

Nesse contexto, como fica o Brasil, que estabeleceu relações diplomáticas com o Irã já em 1903 e mais recentemente tentou intermediar um acordo nuclear que no final  foi concluído sem a presença brasileira. O nosso comércio caiu de 2.3 bilhões de dólares em 2014 para 1.67 bilhões  em 2015. O Ministro Monteiro, que liderou uma missão empresarial em outubro último, com 33 empresas, disse que  em 5 anos vamos aumentar as nossas exportações em 5 vezes. Nas base de que produtos, ninguém sabe. Agora tudo mundo esta lá, e nos só vamos exportar mais via multinacionais que estão presentes aqui, se elas forem competitivas. E mais: os investimentos vão para lá, e não para cá. Perdemos o bonde. O Irã tem outros interesses e outras ofertas melhores que as nossas.

Monday, 25 January 2016

DO SĀO PAULO 462

DO SĀO PAULO 462

A Pauliceia comemora em um dia de céu de brigadeiro seus 462 anos de fundação da cidade. A Avenida Paulista, vértebra da cidade, cedeu o lugar à festa com a Orquestra Bachiana Filarmônica SESI-SP, executando, perto do Museu de Arte Moderna de São Paulo, MASP, músicas  clássicas no meio de centenas de outros programas culturais que se espalham pelas cidade, maior metrópole da América Latina. A Avenida Paulista, que ontem foi e amanhã será de novo palco de protestos contra e a favor do governo, torna-se veia de integração, diversidade e sustentabilidade da locomotiva do Brasil.

Mesmo com o crescimento de outras economias regionais e outras cidades, São Paulo, uma cidade chata, mesmo com bons restaurantes, para os cariocas, às vezes com uma garoa que refresca  o andar, ainda é a síntese do Brasil. Nenhuma cidade tem tantos imigrantes,  sejam do Brasil ou de outros países, como São Paulo. Mineiro então aqui é referencia, respeitado, e virou paulista. Os filhos de nordestinos também. Mas, como italianos, árabes, judeus, eslovenos, alemães, e mais milhares de outras origens e nacionalidades, todos viram paulistas. Não quatrocentões tradicionais, mas construtores de uma cidade que não para de crescer, de se encontrar todo dia com o seu futuro.

Com a saída de industriais para  o ABC, Santo André, São Bernardo e São Caetano, e mais para interior do Estado ou até para o sul de Minas, a cidade se reinventou com serviços e tecnologia. Com a melhor universidade brasileira, a USP, eco do sistema de inovação, prolifera junto com os capitais financeiros, transformando-se de cidade de indústria em cidade de inovação. E avança em um sistema coordenado entre todos os  interessados, sem a competição política tão querida, por exemplo, em Minas.

São Paulo pode não ser nominalmente a capital do Brasil, mas sem ela não se faz nada. Nenhum visitante estrangeiro ilustre ignora, quando visita o  Brasil, São Paulo. São Paulo tem, depois de Nova Iorque, o maior número  de representações diplomáticas  e consulares chefiadas por diplomatas  da mais alta qualidade. O mundo entende que, em São Paulo, renovada todo dia, é onde no Brasil se faz e se decide.

Bem, os mineiros que tanto emigram para cá, não têm uma relação de parceria  com a Pauliceia. São poucas as empresas mineiras presentes aqui, os políticos esqueceram a fase de café com leite, e São Paulo anda e Minas fica. Onde sempre esteve.

Sunday, 24 January 2016

DAS INCOMMODITIES

DAS INCOMMODITIES

Nos livros escolares de geografia na antiga Iugoslávia, lá na década de 50, tinha uma foto no capítulo Brasil de queima de estoques de cafés nos idos de 1920. Queimavam café, dizia o livro, para manter o preço do café no mercado mundial. Bem,  atualmente os preços de todas as materiais primas e produtos agrícolas atingiram seus níveis mais baixos dos últimos 30 anos, ou em alguns casos até mais. Mas, isso todo fazendeiro, até de Entre Folhas, sabe. Aliás, todos sabem que os preços dado materiais primas, e tudo o que se produz nas fazendas chamado modernamente de agro business, varia de preço e que o Brasil não tem a mínima influencia nesse mercado.

Primeiro que o Brasil não vende, é  comprado. Os compradores vêm e negociam os contratos, financiam até a produção e os estoques e comercializam. No caso do café, ainda temos a total predominância de empresas de capital estrangeiro no mercado nacional. Se juntar todas as empresas mineiras de café  que tem dono mineiro, não dá uma Sara Lee brasileira, que é um dos mais importantes players no mercado mundial de café. Sem falarmos na Illy, que domina mercado dos cafés finos de um lugar onde não se produz nem um grão de café.

Todo o esforço de fazer cafés gourmets e concorrer com Alemanha, que é maior exportador de café torrado do mundo, não mudaram o modelo de negócio do produtor mineiro: mais vale a pena vender em grãos do que investir em branding  e comercialização. Claro que há exceções, mas elas não mudam essencialmente o cenário.

No caso dos minérios, o retrato é ainda mais dramático. Como no item petróleo, em que os preços estão chegando a níveis assustadoramente baixos, os minérios também estão na bacia de alma. O fato é que estamos vivendo um ciclo de preços baixos dos produtos que Minas produz, ou  que Minas queria produzir, como achar gás e petróleo no Vale do São Francisco. Acabou a bonança mineira, acabou a ilusão de que o Estado de Minas tem riqueza. Tem, mas vale pouco. E a essa realidade, temos que adaptar os custos, mudar os modelos de negócios, a percepção do estado e do seu governo da economia.

As cordas que puxam esses movimentos da economia não estão em nossas mãos, estão fora do país, fora de controle. Sequer temos especialistas que sejam capazes de resposta a um novo paradigma econômico. E perdemos tempo em não termos feito as mudanças de paradigma enquanto ainda dava tempo.