Sunday, 12 April 2015

DAS AMÉRICAS REUNIDAS E DESUNIDAS

DAS AMÉRICA REUNIDAS E DESUNIDAS O discurso agressivo, apontando o dedo pelas suas próprias mazelas, do venezuelano Maduro ao Presidente dos Estados Unidos, Obama, não foi novidade. Desde a época de Chávez, a Venezuela escolheu o seu maior cliente de petróleo como culpado pela má gestão do governo de Caracas. E, na 7ª Cúpula das Américas, nesta semana no Panamá, não poderia ser diferente. Mas, a estrela da reunião não foi Maduro, e sim Cuba, que ainda depende muito da Venezuela e que está se aproximando dos Estados Unidos. Desde 1962, quando o governo atual, que é o mesmo de então, foi expulso da Organização dos Estados Americanos, que os cubanos não participavam das reuniões da entidade. Então, a presença deles e o degelo provocado nas relações entre os Estados Unidos e Cuba é sim algo a se anotar de novo no continente. Do ponto de vista político, a reunião permite mais contatos entre os presidentes latino-americanos e os seus vizinhos do norte, sendo que o consenso sobre o que espera a região, sob o título de Prosperidade com Equidade, ainda está longe de ser conseguido. O continente tem hoje mais governos de esquerda do que em qualquer outro momento de sua história . E procurou se organizar em entidades como a UNASUL e o CELAC, para se unir mais em torno de seus objetivos políticos e econômicos. E as economias, em parte por queda dos preços das matérias primas e em grande parte de escândalos e má gestão, estão indo bem mal ao sul dos Estados Unidos. A previsão de crescimento feita pelo Banco Interamericano de Desenvolvimento é pífia, 1 % nos próximos três anos. E o continente não está aproveitando o crescimento das economias norte-americana e canadense. Aliás , mesmo os 700 executivos que foram para o Fórum Empresarial, entre os quais estão estrelas como o fundador do Facebook Marc Zuckenberg, não mostraram muito entusiasmo com o andar de reformas econômicas que levassem ao aumento de produtividade no continente. E mostraram mais interessem em investir em Cuba do que em qualquer outro país . Afinal, entre Havana e Miami são só 150 km de distância . O Presidente Obama foi para a reunião não só com abertura para Cuba, mas também com o acordo com o Irã debaixo do braço. Veio com uma liderança internacional renovada e com a economia em crescimento. O beija-mão dos líderes latino-americanos mostrou claramente, mais uma vez, este é um continente dos americanos e quem o lidera são os Estados Unidos. O resto é discurso, e essa é a realidade. Goste ou não. Stefan SALEJ 10.4.2015.

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