Friday, 14 November 2014

DO MUNDO QUE MUDOU PARA ASIA

Do mundo que mudou para a Ásia O mundo se mudou esta semana para a Ásia. Primeiro aconteceu a reunião dos países do Pacífico, entre os quais México, Peru e Chile, nossos parceiros latino-americanos, em Beijing. A ridícula exibição de galantearia do Presidente Putin da Rússia, cobrindo a primeira dama chinesa com um manto por causa do frio, não ofuscou a visita de Estado, o mais alto nível de visita de um chefe de Estado, do Obama à China. E muito menos ofuscou um acordo importantíssimo na área de mudanças climáticas, que os dois maiores poluidores do mundo, China e Estados Unidos, fizeram. E mais: os apertos de mão dos dirigentes da China e Japão, que estão brigando pelas ilhas no mar do Sul da China, além das ainda não esquecidas atrocidades japonesas na China na segunda guerra mundial. Em resumo: além do espetáculo de organização chinesa, muitas conversas à parte e nos bastidores, mas os principais atores eram Obama, Putin e Xi. Vale a pena lembrar que ainda os russos confirmaram o fornecimento de gás para a China, o que ajuda a economia russa, muito dependente dos fornecimentos à Europa, e a China, que com isso ganha segurança energética. Os dirigentes andaram nas nuvens, esquecendo os problemas domésticos, como o mexicano Peña Nieto, o assassinato de 43 estudantes pelos narco-traficantes, Obama, as guerras no Oriente Médio e os inimigos islâmicos, além de seu partido democrata ter perdido as eleições, e Putin, a guerra na Ucrânia. E de Beijing, a maioria deles, mas não todos, foram a Brisbane, na Austrália, para a reunião do G-20. Neste grupo está o Brasil, Alemanha, e outros do grupo G-7 ( antes G-8 e agora, com a exclusão da Rússia, G-7) e todos os membros dos BRICS. Aí o jogo terá ou segundo tempo ou prorrogação. Sob liderança dos australianos, esse grupo pretende dar uma nova esperança ao mundo, propondo um plano global de desenvolvimento, em especial da sua infraestrutura. Ou seja, um PAC mundial, que aliás terá a apresentação de projetos brasileiros em curso e desejados como parte desse esforço. Portanto, a prioridade dos 20 países mais importantes do planeta será infraestrutura, não fome, não educação, não saúde. E isso com a Ebola andando junto com a dengue e a malária solta pelo mundo. Houve também, sob presidência brasileira, uma reunião dos dirigentes dos BRICS, onde a implementação do Novo Banco de Desenvolvimento, com sede na China, e com bloqueio aparente da OECD, a organização econômica dos países mais ricos, da qual os países BRICS não fazem parte, foi o tema principal. As reuniões como a da nossa Presidente com Obama e Angela Merkel foram de uma importância fundamental para a expansão de nossas exportações e vinda de investimentos. E o show da diplomacia norte-americana, que escolheu a Ásia como a sua prioridade, teve o seu ponto alto no entendimento com a Índia. Os americanos convenceram o Primeiro-Ministro indiano Modi a destravar as negociações na OMC e, com isso, deram um novo impulso à Organização Mundial do Comércio e ao seu diretor brasileiro. Em resumo, o show foi do Obama, Xi e Modi. A Ásia como um todo é a prioridade. Stefan Salej 14.11.2014.

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