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Friday, 25 April 2025

DOS BANCOS PARA TODOS, DE TODOS E DE UM DONO

 DOS BANCOS PARA TODOS, DE TODOS E DE UM DONO

 

Em Washington, capital dos Estados Unidosflorida na primavera, estão reunidosos ministros das finanças do mundo inteiro, na reunião anual das duas instituições pilares do sistema monetário mundial, criadas em Bretton Woods em 1945, oBanco Mundial e o FMI, Fundo Monetário Internacional. As duas instituições são bem conhecidas dos brasileiros. A primeira financiou e financia inúmeros projetos de infra-estrutura, desde estradas até usinas hidro-elétricassaneamento e educação. E a segunda, porque nas crises que passamos com as finanças, nos socorreu, mas exigiu reformas e rigor na gestão pública. É só olhar para o nosso vizinho do Sul, Argentina, que ainda está nessa fase, dependendo de empréstimosdo FMI, e de suas missões e exigências.

Esta reunião é muito peculiar. FMI acaba de divulgar suas previsões para a economia mundial, que cresceu em 2024, 3.3 %, enquanto a previsão para 2025 é de 2.8 %. E o crescimento dos Estados Unidos ainda fica abaixo da mundo e seria de 1.8 % neste ano. Os números são bem piores do que os apresentados em janeiro. Simples assim, de janeiro até agora a ameaça de tarifas peloEUA desarranjou o comércio mundial e dá sinais de queda não só do comércio, mas dos investimentose do consumo e desequilibrou as contas não só de empresas mas de países. Ou seja, após a perplexidade inicial pelas ações norte-americanas, chegou a hora de fazer as contas e ver quais são as alternativas. O encontro em Washington vai servir de pano de fundo para conversas formais e informais entre os ministros das finanças,para formular não  suas estratégias de defesacomo também as de ataque.

Os Estados Unidos possuem votos de peso nessas instituiçõescomo também no sistema das Nações Unidas. Votos e dinheiro que fazem essas instituiçõesfuncionaremapesar de que elas foram criadas para dar uma estabilidade monetária e política ao mundo, a mudança da política do governo Trump indica que o papel desenhado no fim da Segunda Guerra acabouSimplesmenteou elesservem aos interesses de seu maior acionista, os Estados Unidos , ou não servem. Um exemplo simples, no caso de Banco Mundial, é a política de equidade e gênero. BM promove essas políticas junto com os empréstimos com vigor, e o governo Trump, com rigor é contra. O Presidente do Banco Mundial é indicadopelos Estados Unidos e o do FMI, pelos europeus. Os americanos podem trocá-locomo  fizeram no passado, colocar verdadeiros falcõesqualquer momento. E no FMI, exercer o poder, como fizeram agora facilitando a vida do Millei. Para os amigos tudo para os demais, nada.

Ou seja, os tempos mudaram mesmo na primavera em Washington, para todos.

 

Friday, 18 April 2025

FROM THE WORLD OF EUROPE

 FROM THE WORLD OF EUROPE


There is a Europe with 750 million inhabitants, of which 446 million are part, with 27 countries, of the European Union. A very diverse continent, sometimes very disunited, but with many things in common. Nowadays we talk a lot only in European Union countries, but the continent as a whole is having an armed conflict, which is between Russia and Ukraine. This conflict that sucks many financial resources, in addition to human lives, made European countries smell again the smell of gunpowder, destruction, disorganization of life, with refugees and, in particular, created insecurity. In partnership with the United States, they managed to contain the conquest of Ukraine by Russia. And Europe lost with this conflict the energy source that kept its economy growing, Russian gas. The military conflict changed the basis of the European economy overnight.


As if that were not enough, the tariffs of the United States arrived, which hit the European economy, including in non-member countries of the European Union. The EU was last year choosing its representatives in the European Parliament and in its executive arm, which is the European Commission, while facing fierce competition from China in the automotive industry, one of the pillars of its economy. Adding to this the invasion of immigrants from Africa and the conflict in Gaza, which also does not end, there is a very complex portrait.


Last year a report came out by the former Prime Minister of Italy, Draghi, who said with all the letters that the EU needs to invest 800 billion euros per year to maintain its minimum level of competitiveness in relation to the United States and China. The fact is that Europe, in this geopolitical and economic complexity, is facing a situation that will require Europeans to take more action and less discussion and especially less bureaucracy. Europe is squeezed between Russia, China and the United States, both in the military field and in the political and economic field. Almost, if you run the animal catches, if you stay the animal eats.


The responses in the war of North American tariffs, which will greatly affect the European economy, are prudent, also because in the middle of the 27 countries there is Hungary, almost a clone of the Trump government, there is France in institutional crisis, and there is the new government of Germany, where the extreme right has gained an undesirable and dangerous political space for European democracy.


But one of the most forceful responses to this geopolitical entanglement of Europeans was to revive the economy with larger military budgets. That is, they will arm themselves to the teeth hoping that others will not react. It should also be mentioned that the EU has to find new markets, since China, Russia and the USA are losing, that is, the implementation of the agreement with MERCOSUR is no longer strategic, it is simply a necessity for survival.

DO MUNDO DA EUROPA

 DO MUNDO DA EUROPA

 

Existe uma Europa com 750 milhões de habitantes, dos quais 446 milhões fazem parte, com 27 países, da União Europeia. Um continente muito diverso, às vezes muito desunido, mas com muitas coisas em comum. Nos dias de hoje falamos muito só em países da União Europeia, mas o continente como um todo está tendo um conflito armado, que é entre Rússia e Ucrânia. Esse conflito que suga muitos recursos financeiros, além de vidas humanas, fez que os países europeus sentissem de novo o cheiro da pólvora, da destruição, da desorganização da vida, com refugiados e, em especial, criasse uma insegurança. Em parceria com os Estados Unidos, conseguiram conter a conquista da Ucrânia pela Rússia. E a Europa perdeu com esse conflito a fonte energética que mantinha sua economia crescendo, gás da Rússia. O conflito militar mudou da noite para o dia a base da economia europeia.

Como se não bastasse, chegaram as tarifas dos Estados Unidos, que bateram na economia europeia, inclusive nos países não membros da União Europeia. A UE estava no ano passado escolhendo seus representantes no parlamento europeu e no seu braço executivo, que é a Comissão Europeia, ao mesmo tempo que estava enfrentando uma concorrência feroz da China na indústria automobilística, um dos pilares da sua economia. Adicionando-se a isso a invasão dos imigrantes da Áfricae o conflito em Gaza, que também não termina, há um retrato bem complexo. 

No ano passado saiu um relatório feito pelo ex-Primeiro-Ministro da Itália, Draghi, que disse com todas as letras que a UE precisa investir 800 bilhões de euros por ano para manter seu nível mínimo de competitividade em relação aos Estados Unidos e China. O fato é que a Europa, nessa complexidade geopolítica e econômica, está enfrentando uma situação que vai exigir dos europeus mais ação e menos discussão e principalmente menos burocracia. A Europa está espremida entre a Rússia, China e os Estados Unidos, tanto no campo militar como no campo político e econômico. Quase, se correr o bicho pega, se ficar o bicho come.

As repostas na guerra das tarifas norte-americanas, que vão afetar em muito a economia europeia, são prudentes, inclusive porque no meio dos 27 países tem aHungria, quase clone do governo Trump, tem a França em crise institucional, e temo novo governo da Alemanha, onde extrema direita ganhou um espaço político indesejável e perigoso para a democracia europeia.

Mas, uma das respostas mais contundentes a esse imbróglio geopolítico dos europeus foi reanimar a economia com maiores orçamentos militares. Ou sejavão se armar até os dentes esperando que os outros não reajamNão se podtambém deixar de mencionar que a UE tem que achar novos mercados, já que estão perdendo China, Rússia e EUA, ou seja a implementação do acordo com oMERCOSUL não é mais estratégico, é simplesmente uma necessidade de sobrevivência.

Saturday, 12 April 2025

 DA CALMA NA JANGADA NO MEIO DA TEMPESTADE

A imprevisibilidade gerada pelas tarifas impostas pela maior economia do mundoestá medida pela vertiginosa queda nas bolsas, as perdas superam os trilhões de dólares que, na geração do século passado, antes do Google, só eram conhecidos nos livrinhos do Tio Patinhas, e estão batendo para todos os lados. Instalou-se a incerteza. Se as previsões de tempo já são complexas e têm às vezes pouca credibilidade, imagine agora o que dizem os analistas de Bagé, se você acredita neles. Ninguém em  consciência pode dizer o que nós próximos minutos vai acontecer. Porque a caixa de Pandora foi aberta e ações nos Estados Unidos provocam contra-ações de outros países. Está se formando uma corrente de ações e contra-ações imprevisível e incontrolável. Enquanto alguns chefes de governos estão ainda lendo os livros sobre a negociação, parece que estamos cada vez mais próximos das teorias de jogos ou até, quem sabe, eventos simplesmente explicados por psicólogos. Nada de sofisticação, mas simplesmente pessoas que alcançaram o poder brincando de poder.

E no mar revolto, ou na tempestade, os entendidos recomendam muita calma com cautela, para que você não perca a vida durante o evento. Talvez vale isso também neste momento para os governos. Se tem alguma coisa que nos Estados Unidos esperamos que não façam, é rasgar dinheiro e comer vidro. Até que ponto essa tempestade econômica vai beneficiar quem, quais setores e quais parcelas de população, ninguém sabe. Em 1929 rasgaram dinheiro e depois o mundo inteiro comeu o que sobrou, inclusive vidro. Será que neste momento sabemos até onde a corda pode esticar ou estamos esperando que arrebente?

Países de grandeza geográfica e riquezas naturais, independentes em energia e alimentação, mas dependentes do comércio internacional, como Brasil, podem até se salvar melhor. Assim foi, por incrível que pareça, até na Segunda GuerraMundial. Mas, não foi assim na crise de 1929. Crise econômica, com seus ataques na geografia dos negócios da economia, é diferente e muito pior do que o conflito militar, onde as perdas humanas são visíveis e muito lamentáveis.

Dizer que Brasil não deve fazer nada porque a tarifa para as suas exportações para os EUA é só de 10 % e que é prudente não reagir, é de uma ignorância comparada a traição da pátria. Reagir sim, mas principalmente reforçar a sua economia para ser competitiva. De um lado, para não virar cesta de lixo para os produtos que não vão mais para o norte, e de outro lado melhorar a sua capacidade de exportar.Melhorar a nossa infraestrutura, reduzir custos logísticos e também financeiros, adicionar valor a nossas exportações. Estamos muito preocupados com terceiros, cujas ações nos afetam sim, mas não conseguimos nem uma estrutura política e nem de governo que nos levem a sermos mais competitivos para resistir àsturbulências. Somos uma jangada enorme em um mar turbulento e cheio de tubarões.

 

Friday, 4 April 2025

OF LIFE AND DEATH OF DIVERSITY, EQUITY AND INCLUSION

 OF LIFE AND DEATH OF DIVERSITY, EQUITY AND INCLUSION


North American companies in France, recall, that country considered boring by middle-class Brazilians, but which introduced with its revolution in 1780, words such as Freedom, Fraternity and Equality, received a circular last week from the United States Embassy, saying that they no longer need to follow the rules of DEI, diversity, equity and inclusion.


Although the subject of the week is the new tariffs that the United States is announcing to the world, a gap in the subject of tariffs will not harm anyone. And the break leads us to reflect on what as entrepreneurs we will do when in the world's largest economy and technological leader, we are told that we will get back to the wheel. That is, everything we were proud of and considered an important cultural advance of our generation has now turned into dust.


Let's have no doubt that many people think that in these matters, including ESG, environment, social, governance and more the issue of gender and minorities, we have advanced too much. Well, it doesn't hurt to remember Pope Leo XIII's encyclical from 1891 Rerum Novarum, which established social doctrine and labor relations. That is, social advances are not a straight line of history and it is part of the capitalist system that entrepreneurs do not receive well certain advances that can tame the profitability of companies.


It is clear that the rejection of these values summarized in two times three letters and some more like LTBGQIA in the main economy will lead to a setback. Maybe we took three steps forward and we'll take one or two steps back. Some up to four. There will also be an economic adjustment and its revaluation in the accounts of companies of these values. Effectively this process, which will be more radical in the US, is different in Europe and Asia.


There was a lot of confusion and also abuse in the business area, where it is remembered the case of the Americanas in Brazil, where companies wrote wonderful reports, glorifying themselves with their values, while they were broken. Another issue is the environment. Denialism in this area is walking without an umbrella in the middle of a hurricane.


As a society and as individuals we have to decide whether the values from which we are moving away or are distancing us, suit us or not. You, as an entrepreneur, don't need a bigger wave to be correct, honest, socially responsible, respectful and care about the environment. You can incorporate this into your business as a set of your values, your faith and your education and roots. And make the calculation of whether this suits your business. Now, if they're going to force us the opposite, Houston, we have a problem.

DA VIDA E MORTE DA DIVERSIDADE, EQUIDADE E INCLUSÃO

 DA VIDA E MORTE DA DIVERSIDADE, EQUIDADE E INCLUSÃO 

 

As empresas norte-americanas na França, lembra, aquele país dos considerados chatos pelos brasileiros da classe média, mas que introduziu com sua revolução em 1780, palavras como Liberdade, Fraternidade e Igualdade, receberam uma circular na semana passada da Embaixada dos Estados Unidos, dizendo que não precisam seguir mais as regras de DEI, diversidade, equidade e inclusão. 

Apesar de que o assunto de semana seja as novas tarifas que os Estados Unidosestão anunciando para o mundo, um intervalo no assunto das tarifas não vai fazer mal a ninguém. E o intervalo nos leva a refletir sobre o que como empresários vamos fazer quando na maior economia do mundo e líder tecnológico, nos dizemque vamos voltar a roda. Ou seja, que, tudo de que tínhamos certo orgulho econsiderávamos um avanço cultural importante da nossa geração agora virou pó. 

Não tenhamos dúvida de que muita gente acha que nesses assuntos, inclusive ESG, environment, social, governance e mais a questão de gênero e minorias, avançamosdemais. Bem, não custa lembrar encíclica do Papa Leão XIII de 1891 Rerum Novarum, que estabeleceu a doutrina social e as relações de trabalho. Ou seja, os avanços sociais não são uma linha reta da história e faz parte do sistema capitalista que os empresários não recebam bem certos avanços que podem amaçar a rentabilidade das empresas.

Fica claro que a rejeição desses valores resumidos em duas vezes três letras e mais algumas como LTBGQIA na principal economia vai levar a um retrocesso. Talvez demos três passos para frente e vamos dar um ou dois para trás. Alguns até quatro.Haverá também um ajuste econômico e sua reavaliação nas contas de empresas desses valores. Efetivamente esse processo, que será mais radical nos EUAé diferente na Europa e Ásia.

Houve muita confusão e também abuso na área empresarial, onde, lembra-se docaso das Americanas no Brasil, onde empresas escreviam relatórios maravilhosos,glorificando-se de seus valores, enquanto estavam quebradas. Outra questão é omeio-ambiente. Negacionismo nessa área é andar sem guarda-chuva no meio deum furacão. 

Como sociedade e como indivíduos temos que decidir se os valores dos quais estamos nos afastando ou estão nos afastando, nos convêm ou não. Você, como empresário, não precisa de uma onda maior para ser correto, honesto, socialmente responsável, respeitoso e se preocupar com o meio-ambiente. Isso você pode incorporar aos seus negócios como conjunto de seus valores, sua fé e sua educação e raízes. E fazer o cálculo de se isso convém ao seu negócio. Agora, se vão nos obrigar ao contrário, Houston, we have a problem.

Friday, 28 March 2025

 DAS  CEREJEIRAS E LULA

É simplismente deslumbrante e inesquecível a imagem, ao visitar Japão nesta época do ano, quando as cerejeiras começam a florescer pelo país afora. Assim, opresidente Lula só pode estar feliz e muito, mais porque a sua visita, considerada de estado, mais alto grau de uma visita bilateral, é a única após a visita do Trump em 2019. No popular, tapete vermelho com direito a encontro com o Imperador e oPrimeiro-Ministrocomemoração digna dos 130 anos das relações diplomáticas, um encontro com sindicalistas , com empresários e  depois a ida ao Vietnã. No meio do domínio do noticiário por Trump com  suas tarifas, crise no Oriente Médio e os desacertos na guerra na Ucrânia, o Brasil trilha seu próprio caminho.

Nós somos a pátria de dois milhões de descendentes de japoneses, nissei, queajudaram a construir este país e continuam oferecendo uma contribuição incrível. Se a isso se somar 36 bilhões de dólares de investimentos japoneses, que após a Segunda Guerra começaram com a USIMINASem 450 empresas e um comércio bilateral de 11.7 bilhões de dólares, positivo para Brasil, temos quase o retrato completo. Faltou dizer que esse comércio já atingiu dez anos atrás 17 bilhões. 

Mas, no retrato faltou dizer que na década de 80 chegaram a viver no Japão, cuja população está envelhecendo e precisa de mão de obra, 300 mil brasileiros chamados decasséguis. A palavra tem origem em verbete da língua japonesaderu, sair e kassegu, para ganhar dinheiro. Com muita garra se adaptaram na terra de seus ancestrais, com dificuldades com a língua, hoje são 200 mil e enviaram bilhões de dólares para Brasil, ajudando a balança de pagamentos.

Japão é um dos parceiros mais consistentes do Brasil. As empresas japonesas,desconhecidas na década de 60, consideradas, em relação aos produtos alemães e norte-americanos de segunda linha, hoje são sinônimo de excelência e tecnologia. Os japoneses pensam e atuam a longo prazo, e assim foram pioneiros na exploração das fronteiras agrícolas no Brasil, e em especial no cerrado. Também foram os primeiros e fiéis, porém exigentes, clientes de cafés de alta qualidade.

A visita mais do que acertadaporém, exige um trabalho dos exportadores brasileiros mais apurado. Na verdade, se queremos vender mais, inclusive carnes e embutidos, temos que melhorar a qualidade. Ampliar a venda de outros produtos,quando a pergunta é quantas empresas brasileiras têm filial e investimentos lá.Zero.

E o mesmo acontece com Vietnã, com o qual temos um superávit comercial muito grande. A primeira visita de um Presidente brasileiro lá é mais do oportuna. Agora, não basta comitiva de empresários ir para ficar perto dos políticos e obter alguns favores na viagem, se suas empresas não tiverem produtos e serviços competitivos. Lula abre caminho e depois, como fica?