DO PRIMEIRO DO MAIO EUROPEU
Acabaram as conversas, começa o trabalho. No dia 1° de maio de 2026, Dia do Trabalhador e de São José marceneiro, entra em vigor de forma provisória o acordo Mercosul-União Européia. Os parlamentos dos quatro países sul-americanos já ratificaram o acordo e a Comissão Europeia decidiu, independentemente do processo que corre no Tribunal da União Europeia de avaliação do acordo, pedido pelo Parlamento Europeu, colocar o acordo, de forma provisória, em marcha. Os protestos dos agricultores europeus, em especial os franceses, obtiveram resultados parciais, mas, mesmo com a força que tiveram as revoltas, não conseguiram paralisar o acordo. Bem, mas levou um quarto do século para ser concluído.
A União Europeia, por mais que seja criticada pela lentidão de suas decisões, e excesso de burocracia, por outro lado reagiu às ameaças norte-americanas no comércio, rápido. Alias, muito mais rápido do que agem e reagem os cinco países sócios do Mercosul. Os europeus fecharam, além do acordo com o Mercosul, logo em seguida com a Índia e, esta semana, com a Austrália. Nos três acordos o tema agro foi uma pedra no sapato nas negociações, mas, com a experiência com o Mercosul, as negociações com a Índia e a Austrália foram bem mais eficazes. Também no caso desses dois países, a grande diferença foi que não havia a divergência que existe entre os países do Mercosul, onde absurdamente dois dos presidentes dos maiores países nem conversam entre si e mal se cumprimentam. A India e a Austrália uniram até a oposição interna a favor do acordo por ser projeto do estado e não do governo.
A União Europeia agora tem mercados abertos que vão desde a América do Sul até a Oceania. Mais de um bilhão e oitocentos milhões de consumidores, sendo a Índia com enorme potencial de crescimento e mão de obra altamente qualificada, a Austrália sólida e competitiva, e o Mercosul é o que é, mas bom mercado. Efetivamente esses dois novos acordos são para as empresas europeias, em especial em investimentos, muito mais interessantes do que o com o Mercosul. Por aqui o crescimento é menor, a estabilidade política é menor, a burocracia mesmo comparada com indiana, é a pior do mundo e as relações de trabalho bem complexas. Entre as três opções, provavelmente o Mercosul passou a ser última.
Como já dissemos nesta coluna várias vezes, tem que correr com o planejamento para a conquista do mercado europeu. Quem exporta são empresas e não o estado e muito menos os políticos. Esta semana esteve em Roma uma missão de deputados, tudo pago pelos contribuintes, e duvido que venderam sequer um quilo de café. Quem devia estar lá são os empresários. O papel das entidades empresariais e também da APEX tem que ser revisto e planejamento, mirando a exportação. Ninguem responde à simples pergunta: com esse acordo quanto mais vamos exportar, além de frases de efeito, que temos janela de oportunidade, para onde e como. Acabou a fraseologia, o discurso, agora ou exportamos, ou seremos engolidos pela importações dos produtos europeus, como aconteceu com os produtos chineses. E para isso não basta um plano só de exportação, mas trabalho efetivo e eficaz para tornar nosssa agricultura e indústria competitivas, sem esquecer dos serviços e do custo Brasil.

No comments:
Post a Comment