Sunday, 10 July 2016

DA FAZENDA E DA FABRICA



Tudo o que é produzido nas fazendas passa a ser industrializado. Nem a verdura mais comum, como alface, escapa. No mínimo, se for orgânica, tem que ser lavada, embalada, transportada e vendida. Ou seja, a fazenda tem sua continuidade na fábrica, nem que ela seja chamada cozinha. O agronegócio é  fundamental gerador  de riqueza industrial. Os dois setores são intrinsicamente conectados, interdependentes e parceiros .

Na semana passada, foi realizado em São Paulo o terceiro forum global de agronegócio, que justamente mostrou isso. Em primeiro lugar, que o agronegócio brasileiro, que teve no ex Ministro da Agricultura  Alyson Paulinelli um dos mais importantes pioneiros da agricultura tropical, está globalizado. Não é só porque as exportações do setor são responsáveis por 40 % das exportações brasileiras, mas porque, com a sua competitividade e produtividade e visão de mercado global, é um setor que está orientado para o mercado mundial. Assim, ele se beneficia de ciclos econômicos mundiais, que aumentam a renda das pessoas e fazem crescer a classe média, e leva em consideração a crescente urbanização mundial.

Enquanto isso, a indústria ligada ao agronegócio tem que acompanhar essa evolução, senão perde o ritmo de negócio. Tem mais: o agrobusiness brasileiro tem na sua produção básica controle de empresários brasileiros, e dependendo do setor, como carnes, também a comercialização. A obsessão com o mercado global leva também  a outras obsessões: tecnologia, produtividade, competitividade.

Para dar um outro exemplo, vale a pena lembrar que a Escola Politécnica da Universidade de São Paulo está lançando o Agronegócio  4.0, ou seja, está  liderando o processo de digitalização do setor. Sem falar na EMBRAPA e em outro exemplo, que é a genética animal desenvolvida em Uberaba.

Agora cabe a pergunta: e a indústria não ligada a agronegócio? Onde está o programa de Indústria 4.0 (digitalização, internet das coisas, robótica)? As entidades como a Agência Brasileira de Desenvolvimento Industrial e a Empresa Brasileira de Pesquisa Industrial são o retrato do atraso comparativo com o agronegócio. Sem falar nas excelências regionais, como a EPAMIG. E não no final de contas no excelente serviço que presta aos seus associados a FAEMG, comemorando 65 anos bem trabalhados. Quem sabe se ao invés de só viajar para fora para ver como funcionam as coisas, virando os olhos para o agronegócio  brasileiro, a indústria  possa avançar mais, não só em parceria mas também  em modelo de competitvidade.

Passou-se o tempo em que o industrial representava o avanço no desenvolvimento. Hoje, esse papel está sendo desempenhado pelo fazendeiro. E amanhã  quem sabe os dois se unem e chamam outros setores para desenvolver o país  como um todo. Sem operário precisar trabalhar 80 horas semanais.

1 comment:

  1. É como falamos ontem sobre o agronegócio. Mas tenho também uma sugestão. Discutimos indústria e agronegócio. Mas pouco falamos sobre o comércio. Sem ele tanto a indústria quanto o agronegócio emperram, pois é a atividade comercial que dá vazão ao produzido. Este, no entanto, me parece o filho bastardo da Dona Economia. Se há o Agricultura 4.0 e você comenta sobre o Indústria 4.0, o comércio ainda está, em sua grande maioria, fora dessas considerações. E nelas deveria ingressar, com força. Fica minha sugestão de tema

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