DAS ROSAS, COCA E ELEIÇÕES NA COLÔMBIA
Domingo tivemos o primeiro turno de eleições presidenciais na Colômbia, nosso importante vizinho, principalmente na Amazônia, nas quais venceu, para surpresa geral, o candidato da ultradireita Espriella, contra o candidato do governo de esquerda, Cepeda. Um advogado jovem, novato na política, filho da elite colombiana, versus um político experiente, de pai líder comunista, formado em Cuba e na Bulgária. Não poderia ser mais preto e vermelho. O segundo turno será no dia 21, quando se unem forças extremas e centro, vai definir muito mais do que a eleição na Colômbia.
Essa eleição é muito importante para Brasil, não só do ponto de vista da comparação política, esquerda no governo contra direita, mas também do ponto de vista de segurança e economia. Ganhando a direita, Lula, com a derrota do candidato do atual presidente Petro, perde o último aliado na América Latina. A Colômbia, independentemente de ser um grande exportador de flores e café, e agora de ouro e carvão, continua sendo sobretudo o maior produtor mundial de cocaína, com seus 258 mil hectares de plantações, uma produção de 2600 toneladas ao ano (dados da ONU). E aí um dos corredores do escoamento é via a Amazônia brasileira, dominada por facções agora denominadas pelos EUA como terroristas. Espriella, que baseou sua campanha na questão da segurança e com apoio aberto dos EUA, e mencionando o presidente de El Salvador como exemplo a ser seguido, não será um aliado de um governo de esquerda no Brasil, mas, se a direita ganhar no Brasil, então teremos provavelmente um espaço amazônico numa aliança dos três países muito diferente de hoje.
A relação econômica entre Brasil e Colômbia, que importa mais de dois bilhões de dólares ano do Brasil de máquinas e equipamentos, é importante para nós. A Colômbia tem um déficit na balança comercial de 16.3 bilhões, que é coberto com remessas de emigrantes. Nos últimos dois anos saíram do país mais de 1.3 milhões de colombianos, o desemprego é de 8.78 %, a inflação de 5.68 e os juros, de 11.25 % com previsão de crescimento do PIB de 2.3 %.
Com toda essa situação complexa, em especial dez anos após o referendo da paz, resultado de um acordo entre guerrilhas e governo, a Colômbia transformou a cidade de Medellin em um exemplo de segurança e desenvolvimento. A ECOPETROL, estatal de petróleo, está investindo no Brasil. E você só compra rosa colombiana para homenagear seus amores. E um dos mais importantes e bem-sucedidos banqueiros do mundo, baseado no Brasil, é colombiano e o banco é o NUBANK. Então, a política global e a mudança no cenário latino-americano são uma coisa, mas não vamos esquecer das flores.












