Wednesday, 28 October 2015

DO MINAS EXPORTA

Do Minas exporta

Minas Gerais é responsável por 13% das exportações brasileiras e 70 % da sua pauta de exportações é representada pelo minério, produtos siderúrgicos, carnes e café. O restante são auto-peças, têxteis, alguma coisa de vestuário, alguns produtos elétricos e automóveis, que têm maior peso na área de manufaturados. Pedras preciosas e jóias não têm nenhuma exportação significativa. A cachaça mineira não é significativa em volume, mas em valor. A região metropolitana representa mais da metade das exportações mineiras. E o total de empresas que exportam  não passa de 1500, sendo que o número das que importam são quase o dobro disso. E a exportação está presente em menos de um quarto dos municípios mineiros.

Em resumo, a exportação é fundamental para o desenvolvimento mineiro.E por isso a queda do preços das matérias primas afeta profundamente a nossa economia. A dependência de exportação das matérias primas nos fez ricos em vários estágios de nossa história, mas também nos faz pobres nos ciclos posteriores dos booms das commodities. Assim, na situação que vivem hoje as empresas mineiras e com a desvalorização do real, é legítima a discussão sobre a possibilidade de a exportação ser a saída para a crise.

Efetivamente, chegamos tarde para afirmar isso. Esse retrato de dependência de matérias primas existe desde o famoso Diagnóstico da Economia Mineira da década de 60, feito pelo BDMG e por jovens economistas mineiros. E em alguns momentos da nossa história houve um ligeiro avanço na mudança desse retrato singular de exportação de minérios e de mineiros  (não vamos esquecer o enorme contigente de nossos patrícios que emigram, em especial de Governador Valadares, para os Estados Unidos), mas basicamente nada mudou. A nossa estrutura econômica esta presa a matérias primas.

Mudar esse quadro requer mais do que ação do governo, que está querendo imitar o governo federal e fazer um Plano Mineiro de Exportação. Quem exporta não é o governo, mas as empresas. E apesar de muitas ações isoladas e individuais, incluindo missões ao exterior financiadas pelas entidades empresariais e agências de fomento, além do esforço organizado e sistêmico da Fundação Dom Cabral na internacionalização das empresas, pouco se tem conseguido de significativo. Primeiro, a própria promoção do estado e a coordenação entre os atores envolvidos, incluído a agência estadual de promoção de exportações Exporta Minas, é fraca e muito mais dirigida para a atração de investimentos com incentivos do que para a promoção de produtos mineiros no exterior. E segundo,  exportar o quê e para quem.

A decisão empresarial de exportar não pode ser conjuntural, como está acontecendo agora, com a desvalorização do real, mas estratégica. E requer um trabalho de longo prazo. Também é preciso juntar os esforços em consórcios de exportação, organizar os canais e trabalhar marcas. Só fazer planos e falar de novo em Made in Minas, não será suficiente. É preciso ter produtos de qualidade  em quantidade e trabalhar a longo prazo.

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