Friday, 16 January 2015

DA NOVA CUBA

Da nova Cuba Aproveite e passe suas próximas férias em Cuba. A piada que circula na Eslovénia, país de dois milhões de habitantes, membro da União européia que se separou há 24 anos da Iugoslávia, então socialista, é que visitando Cuba você pode ver o que seriam eles se não saíssem do socialismo. Vale a pena ver a relíquia socialista em todo o seu esplendor. Com fila para comprar sorvetes para estrangeiros, com preço em dólares, ou pesos dolarizados, e fila para os locais, com preços muito mais baixos, em pesos reais cubanos. Em resumo, uma confusão de moedas. Ver La Habana Vieja renovada, linda de morrer, como uma espécie de Couraçado Potetkim. E os carros velhos, que só tem a carcaça polida, mas motor Honda de ultima geração . Uma enganação atrás da outra, uma realidade não apreensível, vista de um jeito ou de outro, mas em que é difícil de saber o que é imaginário ou que é real. Os vendedores de charutos na rua, oferecendo pela metade de preço os charutos originais, segundo eles, que na loja da fábrica custam uma fortuna, é outra face dessas ilusões que vão cercando você na visita à cidade que mostra uma história, uma alegria musical ímpar ao mesmo que tempo uma incerteza sobre o seu futuro. Bem, isso até ontem. Até o dia em que os governos dos Estados Unidos e da Cuba revolucionária e comunista se entenderam e vão caminhar juntos. Ou seja, corra para ver o museu vivo de um país que resistiu aos Estados Unidos, insistiu em um modelo fracassado no mundo e exportou armas, soldados, revolucionários e revolução e até médicos e dentistas. Foi um ator admirável na política internacional e ousou apontar armas, mísseis russos, para a maior potência mundial, com a mão na cintura. E apesar de tudo contínuou produzindo o melhor rum do mundo e insubstituíveis charutos. Essa Cuba está mudando ainda com seu líder máximo, aquele dos discursos de seis horas, entre outras façanhas, Fidel Castro, vivo. Ele promoveu as duas revoluções na história cubana: a derrubada da ditadura de Fulgencio Batista em 1960 e a volta à normalidade, se podemos chamar assim a mudança de 2014. Firmou o modelo político cubano com a permanência de uma Cuba independente e não subserviente. Evitou a intromissão do modelo da primavera árabe, que os Estados Unidos promoveram no Oriente Médio, e que se comprovou um total fiasco, e firmou uma nova aliança com seu vizinho poderoso e impiedoso. E nessa equação, Cuba, que tentou mudar a América Latina com a revolução, fez um outro movimento tão revolucionário que muda toda a América Latina. A aliança entre Havana e Washington, é no fundo uma aliança entre a América Latina e os Estados Unidos. A questão é quanto os demais países do continente serão capazes de aproveitar essa nova aliança. O Brasil tem uma chance ímpar para tecer uma relação continental diferente, em circunstâncias diferentes. A Cuba de ontem também é América Latina de ontem. La Habana Vieja já era. http://www.salejcomment.blogspot.com Stefan Salej 16.1.2014.

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