Sunday, 19 October 2014

De São Petersburgo com arte e temor

De São Petersburgo com arte e temor

A segunda maior cidade da Rússia, com 5 milhões de habitantes e que há 97 anos se chamava, durante o Outubro Vermelho, Petrograd, quando explodiu a revolução bolchevique,  é um misto de história e atualidade. Depois de passar a se chamar Leningrado, em homenagem ao líder bolchevique, voltou ao nome antigo de São Petersburgo. Enormes palácios, cópias de europeus, dourados quanto podiam e não podiam, mostram a opulência da época dos czares russos. Poderosos e guerreiros, ricos e ostentatórios, competindo por um espaço na Europa moderna, não querendo ficar para trás nem em mostrar poder nem luxo. Tudo refeito, especialmente após a destruição provocada pelos nazistas, que chegaram a 30 km da cidade na Segunda Guerra Mundial.

Os palácios refeitos tem o seu ponto alto no Museu Hermitage, com milhares das obras mais importantes da cultura européia em seu acervo. Como chegaram lá esses milhares de pinturas dos últimos  seis séculos é outra história. Umas compradas, outras  pertencentes a famílias que fugiram do novo regime, em especial judeus, e outras vindas com as conquistas durante a segunda guerra mundial. O fato é que alguém pode ficar semanas no museu e não vai ver tudo. Mas, é imperdível uma visita focada nas principais obras, seja de mestres holandeses, italianos, franceses ou até de Picasso.

A cidade, extensa, tem prédios ainda da época dos czares, depois muito poucas construções da época soviética e inúmeras construções, em especial nas áreas comerciais, de épocas mais recentes. E tanto que tem marcas da época dos czares, mas muito pouco de lembranças de ser o berço  de um dos mais importantes eventos do século passado, a Revolução de Outubro. Parece que o orgulho de uma pujança aparente das épocas dos czares algozes quer substituir o papel que a cidade teve na construção de uma ordem diferente, ordem nova. Quanto mais se valoriza o czarismo, tanto mais se quer desvalorizar a época soviética. Ainda não o chegou tempo de uma análise equilibrada da história.

Do outro lado do Golfo, fica a Finlândia que perdeu uma parte de seu território na guerra com a Rússia em 1939, o qual  ninguém pensa em devolver. Aliás, a Finlândia, membro da União Européia, é grande beneficiária das sanções européias.O comércio fronteiriço cresce e os russos se abastecem por lá, a uns 200 km de São Petersburgo, como se fosse na esquina. A convivência da Finlândia com a Rússia é um exemplo que muitos russos mencionam quando falam das relações hoje complicadas com a Ucrânia.

Uma visita a Saint Petersburgo é obrigatória, indo à Rússia. O trem  super veloz, confortável e organizado vem de Moscou para a estação Moscovsqui e, por exemplo, o próprio Museu Hermitage tem um hotel com qualidade difícil de ser vista no Brasil. A desgraça são os táxis as vezes mancomunados  com a polícia, que roubam dos passageiros e ameaçam se não se pagar tarifa absurda. Para a Copa de 2018 estão construindo o maior estádio de futebol da Europa e provavelmente até lá vão enquadrar os taxistas ladrões de turistas.

Stefan B. Salej
13.10.2014.


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