Friday, 11 July 2014

DA COPA DA DIPLOMACIA

Da Copa da diplomacia O esporte e seus eventos fazem parte da agenda diplomática há muito tempo. De um lado, para promover os países promotores e seus regimes, como foi o infame caso dos Jogos Olímpicos em Berlin em 1936, quando a Alemanha nazista surgia com toda a sua força e todo o seu racismo e o seu infame Chanceler não quis cumprimentar o atleta negro norte-americano Jesse Owens porque os arianos, mesmo sendo austríacos, não cumprimentavam negro! Ou nos tempos da União Soviética, quando os russos organizaram, com o ursinho Micha, os Jogos Olímpicos de verão, bloqueados com toda força pelos Estados Unidos e seus aliados. E a volta do diálogo entre a China comunista e a democracia conservadora dos Estados Unidos da época começou através dos jogos de tênis-de-mesa e passou a se chamar a diplomacia do Pingue Pongue, sob a regência do Professor Kissinger e do chinês Zhou Enlai. Assim, é absolutamente normal que o Brasil use ao máximo a oportunidade de hospedar a Copa para se promover. Claro que é mais agradável promover o Brasil com bons resultados dos atletas, mas o desastre da nossa seleção não deixa de ter sido uma formidável notícia pelo mundo afora. Em nenhum canto do mundo deixou de ser notado o fiasco. E aí a diplomacia brasileira teve formidável trabalho para dizer que sim, o futebol é importante, estamos tristes, mas o país continua firme, forte e democrático. E os "abutres" do mercado financeiro mundial começaram a produzir previsões sobre a influência dos sete gols alemães sobre as eleições e a gestão das empresas públicas brasileiras. E, especulando, conseguiram elevar o valor das suas ações e ganhar bilhões, como se alguém realmente soubesse o que vai acontecer no campo eleitoral antes de abrirem as urnas. Outra parte dessa ação foi feita pela Apex, Agência brasileira de promoção de exportações e investimentos. Não é só a sua marca que aparecia junto com inúmeras marcas de empresas brasileiras, até a Centauro mineira estava lá, nos estádios. Eles organizaram de forma meio atrapalhada a ida de inúmeros empresários aos jogos da Copa e em visitas a empresas exportadoras brasileiras. Enquanto o aumento do consumo do pão de queijo pelos torcedores e dos gastos no Brasil durante a Copa são visíveis, os resultados da promoção serão vistos a longo prazo, se acompanhados por ações pós-Copa. O trabalho classicamente chamado diplomático foi realmente árduo. Algumas informações dizem que 25 chefes de Estado e Governo terão estado no Brasil. Isso requer um trabalho monumental e mais uma agenda extraordinária. Desde o Vice-Presidente norte-americano e a Chanceler alemã até Primeiro Ministro croata e mais outros tantos. Mas, a Copa diplomática vai começar mesmo com a reunião dos países BRICS em Fortaleza, na próxima semana. Rússia, China, Índia, África do Sul e Brasil, em uma agenda interessante, que inclui o Banco de desenvolvimento e depois a reunião com os Presidentes sul-americanos. E aí não podemos levar nenhum gol. Nesse jogo não se improvisa. Stefan B. Salej 10. de julho 2014.

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