Thursday, 26 March 2015

DO CALENDÁRIO PIRELLI E O CAVALO DE TRÓIA



DO CALENDARIO PIRELLI E O CAVALO DE TROIA

A quinta marca de pneus mais prestigiada no mundo, patrocinadora da Formula1 e inúmeros eventos, centenária fabricante de pneus de borracha e mais conhecida por seus  sensuais calendários pendurados em todas as borracharias e oficinas mecânicas no Brasil, deixou de ser italiana. Os chineses que, no ano passado investiram 20 bilhões de dólares nas compras de empresas na Europa, compraram por uma bagatela inferior a dois bilhões de dólares a marca, instalações, subsidiarias e calendário da Pirelli no mundo inteiro. Compraram antes a Volvo, uma parcela substancial da Citroen- Peugeot, Pizza Express, o Porto dos Pireneus, o principal da Grécia, e até as marcas de luxo de  roupas Aquascutum e Sonia Rykiel.

Os chineses raramente começam um investimento novo na Europa. Preferem comprar marcas conhecidas e com boa penetração internacional e, de preferência, em dificuldades financeiras. Hoje a China investe mais nos Estados Unidos  do que os americanos na China. Os chineses criaram uma elite gerencial, formada em escolas de negócios no mundo inteiro, que lhes permite umas gestão eficaz e uma compreensão da cultura local muito melhor do que, por exemplo, os espanhóis.

Mas, a economia chinesa é uma economia estatal atuando bem dentro das leis de mercado. O país é politicamente monolítico e atua de uma forma absolutamente unânime dentro de seus interesses nacionais.  Então não há empresa chinesa que ande pelo mundo sem interesses chineses maiores serem atendidos. Nem para comprar fábrica de sorvete, quiçá uma fábrica  como a Pirelli. E a professora Meunier, da prestigiosa universidade norte-americana Princeton, diz com clareza que os investimentos chineses na Europa podem se tornar um Cavalo de Tróia, introduzindo políticas  e valores chineses no coração da Europa.

Na verdade, isso vale para outras regiões e para o Brasil também. Os capitais chineses, como aliás também os dos outros gigantes econômicos, são parte da expansão econômica e os países utilizam todas as suas formas para atrair  investimentos e tirar o máximo deles. Nada de novo nessa história e na América Latina já foram feitas intervenções militares por conta disso.

O que definitivamente seria bom é, na tão propalada vinda de capital estrangeiro para Brasil, também levar em conta não só os dólares que entram, mas os que saem e o que vem com eles, ou seja tecnologia, mercado, equipamentos modernos e outros meios de produção eficazes. Só dólares, entrando e saindo ainda mais, não serão suficientes, a não ser para ter calendário com incentivos da Lei de Incentivo à Cultura.

Stefan Salej
25.3.2015.

1 comment:

  1. Penso que o mundo ocidental cometeu um erro crasso em tentar explorar a mão de obra escrava do mundo oriental.
    Pensavam que estavam só explorando... e auferindo excepcionais lucros.
    Não previram que quem faz, mesmo quem produz apenas com as mãos acaba se tornando dono de seu conhecimento adquirido. E quem tem clientes acaba ficando com uma parcela expressiva do capital. Aí da para fazer a farra que os orientais estão fazendo. Realmente caímos de patinho no Cavalo de Troia deles.

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