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Friday, 7 November 2025

DO TIO PATINHAS E TRILHÕES 

 

Na década de 60 existia história do bilionário, pão-duro tio Patinhas. Ele falava em bilhões, que, mesmo com a inflação brasileira nas alturas, eram números de riqueza inalcançável. Depois apareceu uma lista de bilionários da revista Forbes, que ainda distanciava mais os que têm dos que nunca terão.

Agora entramos numa nova era que é de trilhões, não de reais, mas de dólares, que ainda é a moeda de referência. Aparece um empresa que não é a marca mais popular do planeta, provavelmente absoluta maioria das pessoas nem sabem o que faz, e passa a valer cinco trilhões de dólares. Nvidia, fabricante de chips nos EUA. Ai vem de novo o homem mais rico do mundo, e também polêmico, Elon Musk, inventor da Tesla, que tem um patrimônio de 1 trilhao de dólares e reinvidica outro trilhão de prêmio se elevar o valor da Tesla dos atuais 1.4 trilhões para 8.8 trilhões em 10 anos. Google, Microsoft, Meta e Amazon estão investindo em data centers e IA 360 bilhões de dólares. OpenAI e Amazon fecham um acordo de 38 bilhões. E Oracle, outro gigante da tecnologia, vai investir em data center 300 bilhões. O genro do Trump fecha a compra de uma empresa de gaming no valor de 55 bilhões. E 42 milhões de norte-americanos,12 % de população dos EUA, dependem de food stamps, ajuda do governo para a compra de alimentos.

Produto Interno Bruto brasileiro, em 2024, foi de 2.18 trilhões de dólares. Daorgulhosa Minas, somente 200 bilhões . E a empresa mais valiosa brasileira, Nubank, vale 80 bilhões de dólares. Por sinal um fenômeno, já que em 12 anos se tornou a mais valiosa brasileira, ultrapassando a Petrobras. Um banco digital versus uma indústria.

Concluindo, comparando esses números, chega-se à conclusão de que o Brasil vale menos da metade da Nvidia e Musk pode comprar metade do Brasil, com tudo incluído. A riqueza hoje em dia está no digital, nos modelos de negócios que geram trilhões e cujo troco são bilhões. O sucesso do Nubank, fundado por um colombiano e sócios, mostra que é possível atingir um nível de competição. Mas, na IA que hoje absorve uma boa parte do capital disponível no mundo, por sinal independente de seus resultados, já criando dúvida se haverá retorno, estamos fora da competição.

O tamanho trilionario dessa economia, incluindo supervalorização das ações, nos remete à leitura do livro do Andrew Sorkin, 1929. É sobre crash que quebrou a economia mundial, espiral sem fim da bolsa que quebrou o mundo. Alias, na década de 70 houve no Brasil esse fenômeno que produziu as ações imaginárias chamadas  Merposa, impronunciável mas disponível na internet. Distinguir o que é real do imaginário da ganância. Talvez lembrar Getúlio Vargas visitando a Feira de gado em Uberaba, quando lhe apresentaram um touro super valioso, disse : vale tanto quanto pesa.

Friday, 31 October 2025

  OF THE DISTANCES AND PROXIMITIES, EAST ASIA


The focus of the week was the meeting of the Presidents of the USA and Brazil in Kuala Lumpur, Malaysia, a country where, with all progress, there is the death penalty for traffickers and there were, some time ago, titanic scandals in the financial area. The meeting was of statesmen, Brazil showed its historical face, of a country that solves its problems with diplomacy and now the ball will roll in tariff negotiations. This takes time, anxiety doesn't help, and it won't even have short-term results. Meanwhile, the less you use the event for electoral purposes and short-term political benefits, the better. Paraphrasing a television sketch, shut up, Magda.


But, before Malaysia, Brazil's entourage passed through Indonesia. The speeches there seemed from the time of the non-alignment of Marshal Tito of Yugoslavia and Sukarno, president of Indonesia. But, apart from that, the Brazilian economic attack, especially the partnerships in the area of energy, food, defense, and no one mentioned the 45 ethanol plants that Brazilians are renovating there, was excellent. Almost a successful case.


The most important fact of this trip for Trump, in addition to the peace agreement between Thailand and Cambodia, was to settle the trade agreements with three Asian giants of the world economy: Japan, with a new Prime Minister, South Korea and China. These understandings are not a simple victory of Trumpism, but they put a certain order in the very troubled relations of world economics. According to what was agreed or not, now the rules have become a little clearer for the world to walk. This has a huge benefit for us, despite the fact that relations between Brazil and the USA are not yet stabilized, they are moving towards it.


And within this circle, the victory of the Argentine libertarians in the midterm elections was basically a Trump victory. Argentine politics, with 40 billion US dollars, gaining stability, can only be beneficial for Brazil. And for South America, where the two largest countries maintain their democratic course, and even under the shadow of the largest aircraft carrier in the Caribbean, which the Americans put, the continent can find its stability. How will relations be with the European Union, which will meet in Colombia in early November with Latin American countries, and with China, a fundamental economic partner, is another issue. And in this the tariff negotiations with the US will be tough, not only because of them, but to reconcile here what will be sold, such as ethanol, or markets for North American commodities. Friends yes, but we are competitors too.

 DAS DISTÂNCIAS E PROXIMIDADES, LESTE ASIÁTICO 

O foco da semana foi o encontro dos Presidentes dos EUA e Brasil em Kuala LumpurMalásia, país onde, com todo progresso, tem pena de morte para traficantes e houve, tempos atrás, escândalos titânicos na área financeira. O encontro foi de estadistas, Brasil mostrou sua face histórica, de país que resolve seus problemas com diplomacia e agora a bola vai rolar nas negociações de tarifas. Isso demora, a ansiedade não ajuda, e nem vai ter resultados a curto prazo. Enquanto isso, quanto menos usar o evento para fins eleitorais e de benefícios políticos a curto prazo, melhor. Parafraseando um scetch televisivo, cala aboca, Magda.

Mas, antes da Malásia, a comitiva do Brasil passou pela Indonésia. Os discursos lá pareciam da época do não-alinhamento do Marechal Tito da Iugoslávia e do Sukarno, presidente da Indonésia. Mas, fora disso, a investida econômica brasileira, em especial as parcerias na área de energiaalimentos, defesa, e ninguém falou das 45 usinas de etanol que brasileiros estão reformando lá, foi excelente. Quase um case de sucesso.

O fato mais importante dessa viagem para Trump, além doacordo de paz entre Tailândia e Cambojafoi acertar os acordos comerciais com três gigantes asiáticos da economia mundial: Japão, com uma nova Primeira-ministraCoreia do Sul e ChinaEsses entendimentos não são uma simples vitória do trumpismo, mas colocam certa ordem nas relações muito conturbadas daseconômicas mundiais. De acordo com o que foi acertado ou não, agora as regras ficaram um pouco mais claras para que o mundo ande. É isso tem um enorme benefício para nós, apesar de que as relações entre Brasil e EUA ainda não estão estabilizadas, estão caminhando para isso.

E dentro desse círculo, a vitoria dos libertários argentinos nas eleições intermediárias foi no fundo uma vitória de Trump. A política argentina, com 40 bilhões de dólares dos EUA,ganhando estabilidade, só pode ser benéfica para Brasil. E para América do Sul, onde os dois maiores países mantêm seu curso democrático, e assim mesmo sob sombra do maior porta-aviões no Caribe, que os norte-americanos colocaram, o continente pode achar sua estabilidade. Como vão ficar as relações com a União Europeia, que vai se reunir na Colômbia no início do novembro com países latino-americanos, e com aChina, parceiro econômico fundamental, é outra questão. Enisso as negociações tarifárias com os EUA vão ser duras, não só por causa deles, mas para conciliar aqui o que se vai ceder, como ethanol, ou mercados para commodities norte-americanas. Amigos sim, mas somos concorrentes também.


Friday, 24 October 2025

OF SOUTH AMERICAN NEIGHBORS AND THEIR PROBLEMS


The conflicts in Gaza and Ukraine affect us, but they are far away. But the attacks on alleged drug trafficking boats on the Venezuelan coast and the concentration of US troops in the Caribbean are on the border of Brazil. The US decision to break with aid to combat coca production in Colombia is, again, on our border. The change of President in Peru, has already lost count of how many, it is also in the neighborhood. The election of the new President, right-wing, after 20 years of socialism, in Bolivia, is also. And the injection of no less than 20 billion dollars by the US into the Argentine government's cash on the eve of interim parliamentary elections, which will define Millei's governability, affects us directly and a lot. And there are more elections in November in Chile, a great investor in Brazil, the fight between right and left.


All these events are related to the US and its new policy towards South America. They are part of the competition with China, which ended through investments and loans, open trade, and expansion of its cultural centers, in addition to the military base in the extreme south of Argentina, becoming the main partner, replacing the USA. The Chinese today not only sustain with their imports of minerals and commodities the balances of payments of most South American countries, especially Brazil and Argentina, but are the main investors and job creators. The Americans lost the Chinese market for their commodities, replaced by Brazilian and Argentine soybeans, but also for their industrialized products.


The production of coca and bands of drug traffickers was left, especially in Colombia, where, with the Colombia Plan to combat them, the US invested more than 15 billion dollars with poor results in reducing the production and distribution of coca. Now, with the cession of cooperation between the two countries, how will the drug trafficking that is already expanding throughout Brazil be?


The reaction of the US, which cannot even allow China to take their resources or markets, was predictable, despite the fact that South American leaders claim they are surprised. Tariffs, military force, financial aid and more and more, even secret action, will be part of the menu so that, legitimately or not, they achieve their goals. Some actions, such as financial aid to Argentina, if they produce results, are good for Brazil. Solid Argentina is a good market for us. The fight with Colombia is bad, and very worrying. And with Venezuela, only God knows what can happen. You remember the last crisis on the border, thousands of refugees. It is good that chemistry works in the conversation in Malaysia between Lula and Trump, because the situation is very complex.


The question is simple: how to balance the need to be independent, including not only for economic and social purposes, but to keep the flame alive of nationalism, which brings votes and dependence that the country has on a partner or not like the USA??

 DOS VIZINHOS SULAMERICANOS E SEUS PROBLEMAS

 

Os conflitos de Gaza e da Ucrânia nos afetam, mas estão longe. Masos ataques aos barcos de suposto narcotráfico na costa venezuelana e a concentração de tropas dos EUA no Caribe, é na fronteira do Brasil. A decisão norte-americana de romper com ajuda para combater produção de coca na Colômbia, éde novo, na nossa fronteira. A troca de Presidente no Peru, já se perdeu a conta de quantos, também é na vizinhança. A eleição do novo Presidente, de direita, após 20 anos de socialismo, na Bolívia, também é. E a injeção de nada menos do que 20 bilhões de dólares pelos EUA no caixa do governo argentino na véspera de eleições intermediárias do parlamento, que vão definir a governabilidade de Millei, nos afeta diretamente e muito. E tem mais as eleições em novembro no Chile, grande investidor no Brasil, a luta entre direita e esquerda.

Todos esses eventos são relacionados com os EUA e sua nova política em relação à América do Sul. Fazem parte da competição com China, que acabou através de investimentos e empréstimos, comércio aberto, e expansão de seus centros de cultura, além da base militar no extremo sul da Argentina, se tornando principal parceiro, substituindo EUA. Os chineses hoje não só sustentam com suas importações de minerais e commodities os balanços de pagamentos da maioria dos países sul-americanos, em especial Brasil e Argentina, mas são os principais investidores e criadores de empregos. Os norte-americanos perderam o mercado chinês para suas commoditiessubstuidos por soja brasileira e argentinamas também para seus produtos industrializados.

Sobrou a produção de coca e bandos de narcotraficantes, em especial na Colômbia, onde, com Plano Colômbia para combatê-losos EUA investiram mais de 15 bilhões de dólares com resultados pífios na redução de produção e distribuição de coca. Agora, com cessão da cooperação entre os dois países, como vai ficar o narcotráfico que já está se expandindo pelo Brasil afora?

A reação dos EUA, que não se podem permitir nem que China lhes tome os recursos e nem os mercados, era previsível, apesar de que os dirigentes sul-americanos alegam que estão surpreendidos. Tarifas, força militar, ajuda financeirae mais e mais, até ação secreta, vão fazer parte do cardápio para que, legitimamente ou não, consigam seus objetivos. Algumas ações, como ajuda financeira à Argentina, caso produzam resultados, são bons para Brasil. Argentina sólida é um bom mercado para nós. A briga com Colômbia é ruim, emuito preocupante. E com a Venezuelasó Deus sabe o que pode acontecer. Você se lembra da última crise na fronteira, milhares de refugiados. É bom que química funcione na conversa na Malásia entre Lula e Trump, porque a situação é bem complexa.


A questão é simples: como equilibrar a necessidade de ser independente, inclusive não só para os fins econômicos e sociais, mas para manter a chama viva de nacionalismo, que traz votos e dependência que o país tem de um parceiro ou não como EUA?? 


Friday, 17 October 2025

DO BRASIL SEM NOBEL

Nas últimas semanas foram anunciados os ganhadores do Prêmio Nobel pela Academia Real Sueca de  Ciências nas áreas de química, física, economia, medicina e literatura. Desde 1901, esse prêmio, que tem origem na doação do inventor da dinamite sueco Alfred Nobel, é considerado o mais prestigiado do mundo. Enquanto na literatura houve um ganhador só, veja todos os ganhadores no www.nobelprize.org, em outros campos. O prêmio de um milhão de dólares é em geral dividido por três ganhadores. Ou seja pesquisas feitas nos diferentes lugares do mundo, por exemplo na medicina no Japão e Reino Unido, na química na Austrália, California e Japão, economia na França, Holanda, EUA, Canadá. Em resumo,  pesquisa é global e não tem fronteiras. E mais, é antes de tudo cooperativa.

Explicar cada uma das conquistas que geraram os prêmios cabe mais aos especialistas de cada área e certamente acharão os caminhos de conexão entre a pesquisa que realizam e a dos ganhadores.

Aliás, o que mais teve no Brasil foi debate sobre o prêmio de economia porque ele toca na questão fundamental: sem contínua inovação, não há desenvolvimento. E aí vem a questão por que o Brasil nem progride e nem ganha Prêmio Nobel. Vivemos ondas de pesquisa e de inovação. Veja um exemplo: no governo FHC criaram o Instituto do Milênio. Pesquisas em rede, aliás algo que no Brasil sempre foi problema, os paulistas não cooperam com os mineiros e vice versa, e com recursos. No primeiro ano do governo Lula isso sobreviveu e hoje ninguém, a não ser os aposentados da época, se lembram disso.

Por incrível que pareça os prêmios Nobel indicam , cada ano mais, que pesquisa pura, acadêmica, leva a resultados concretos ou, como escreveu The Economist, as lições das pesquisa são imprevisíveis, e isso leva a  resultados inesperados e concretos.

Na história dos prêmios Nobel deste ano tem ainda o da Paz, que é outorgado não pelos suecos, mas pelos noruegueses, mediante um comitê de cinco membros nomeados pelo Parlamento, à líder da oposição venezuelana Corina Machado. Dizem que Trump esperava ganhar esse prêmio, especialmente pelo acordo de Gaza, mas Corina fez questão de dizer a ele que lhe  dedica prêmio. Esse prêmio é polêmico, tem sempre fundo político e os noruegueses já estão jogando de olho no futuro da Venezuela, onde têm grandes interesses energéticos. E Trump terá que esperar.

A reflexão mais importante é por que, nestes 124 anos do prêmio, nenhum brasileiro o recebeu. Que houve em todas as áreas merecedores, não há dúvida, mas por quê? Não se trata do prêmio, trata-se de saber por que não alcançamos este nível de reconhecimento. Vamos refletir.

Na minha vida esbarrei várias vezes nos ganhadores de Prêmio Nobel. Um domingo visitando com prof.dr.Robert Blinc, físico que ajudou erguer doutorado em física da UFMG, mas esloveno como eu, seu laboratório na ETH Zurique onde ele ensinava no curso de pós doutorado.Uma aula por semana, onde tinha que apresentar algo novo, e semana de pesquisa. Quando saímos do prédio, comentei que os suíços já não eram mais os mesmos, tinha muita luaz acessa no prédio. E a resposta dele foi: você acha que eles ganharam tantos prêmios Nobel porque só trabalham de vez em quando. Aqui a pesquisa é 24/7.

Outra vez foi num work shop na OCDE em Paris, onde um dos expositores foi um físico japonês ganhador do Nobel. A pergunta, o que mudou na vida dele depois do prêmio, respondeu: agora tudo que digo tem crebilidade e tenho mais recursos para pesquisa.

Um não ganhador foi Jeffrey Sachs, um economista bem reformulador das economias do Leste Europeu  e outras em transição. Encontramos várias vezes inclusive em Minas Gerais. Dizem que não ganhou Nobel, porque monetizava suas opinões e pesquisas.

No Brasil teve vários candidatos que passaram na minha vida. D.Helder Camara, Jorge Amado, acho que no caso dos dois deve ter sido a pressão do regime militar para não ganharem porque eram da esquerda. Quem sabe.Na física César Lattes. O fato é que ninguém ganhou.