Thursday, 29 September 2016

DA PAZ NO ORIENTE MÉDIO E SHIMON PERES

DA PAZ NO ORIENTE MÉDIO E SHIMON PERES

A morte do Shimon Peres, ex-Primeiro-Ministro de Israel, várias  vezes ministro, inclusive de Relações Exteriores, Presidente do país e Prêmio  Nobel da Paz, traz reflexões profundas a respeito não só de seu papel na política israelense mas mundial, e especialmente do Oriente Médio.

Nascido na hoje Bielorrússia, emigrou com a família, ainda jovem, para a terra ocupada pelo britânicos. Lutou pela independência de Israel e foi considerado um dos pais fundadores do país. Da luta de resistência para estadista, o caminho foi longo, árduo e persistente. Foi aluno de Ben Gurion, pai do estado de Israel, companheiro de Golda Meir e Yitzhak Rabin, tragicamente assassinado e ganhador junto com ele do Prêmio Nobel da Paz.

Peres é mundialmente identificado pelo seu esforço pela promoção de paz na região e em especial pela costura diplomática dos chamados acordos de Oslo, assinados também pelo então líder palestino Yasser Arafat. Até o último dia da sua vida, lutou pelas paz na região, mesmo sendo pouco compreendido nos últimos tempos, tanto pelos políticos israelenses no poder, como pelos radicais árabes. O seu sucessor na presidência do pais, apesar de ser um homem digno, tem posições políticas a respeito da paz entre israelenses e árabes totalmente contrarias às de Peres. Mas nunca desistiu na sua luta.

Provavelmente, a face menos conhecida do Shimon Peres seria a de visionário e realizador de sonhos na construção de Israel. Ele tinha visão clara de qual Israel queria e como construir o país. Aí a construção da paz passa a ser um componente importante, mas o fundamental era consolidar na opinião dele Israel como um país de conhecimento e tecnologia, através da educação. Implementar os valores básicos de judaísmo, o povo do livro, na construção do país. Ele foi fundador da indústria aeronáutica, IAI, hoje grande disseminador de tecnologia mais avançada da área no mundo. Foi pai do programa nuclear israelense, que permitiu não a construção de bombas nucleares (sempre negado pelo Israel), mas a absorção do uso pacífico da energia nuclear na medicina e na agricultura. E além disso, de forma discreta e eficaz, estruturou o sistema de segurança e defesa de Israel, que permitiu que o país  sobreviva como democracia no meio de 33 países basicamente contrários à sua existência.

Foi-se o homem, ficou a visão e a construção dessa visão. Foi se um dos últimos lideres do século passado, mas depende dos atuais lideres o aprendizado dessas lições. Pela extensão das condolências e presenças no enterro em Jerusalém, alguma reflexão para o bem da humanidade deve ter ficado. Essa seria a melhor homenagem que se poderia prestar a ele.

Stefan Salej

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