Sunday, 15 May 2016

DA JUSTIÇA, TRABALHO E EMPREGO

DA JUSTIÇA, TRABALHO E EMPREGO

Os 11 milhões de desempregados no Brasil são um dos maiores problemas que vivemos hoje no país.  E esse número vai crescer mais ainda nestes dois anos, por causa dos ajustes econômico-financeiros do estado brasileiro, e também da adequação das empresas a um novo paradigma de produtividade, que requer cada vez mais automatização e robotização para que as empresas passem a  ser produtivas no mercado internacional. E o grande empregador são os serviços e o comércio, depois a indústria e, em escala menor, o agro-negócio. E recuperar esses empregos vai levar muitos anos, senão décadas. E mais: temos uma nova situação de envelhecimento da população brasileira que vai nos levar, como já foi no passado, a importar mão de obra.

Nesse contexto complexo, onde se inclui a educação para o trabalho e a atração de novos investimentos, temos também o custo de trabalho no Brasil. Mesmo que a produtividade seja alta em certos setores, o custo é alto por fatores externos, provocados pela legislação trabalhista em vigor, pela força dos sindicatos dos trabalhadores, que forçam, em nome dos seus associados (alias o papel de sindicato é este mesmo), salários e condições mais vantajosas para os trabalhadores, e, não no final, pela justiça do trabalho.

Não se encontra ninguém que pague salário, seja em casa, seja nas empresas, que não esteja convencido de que a nossa justiça do trabalho julga sempre contra o empregador. Pode ser sentimento, porque inclusive são raros os estudos e estatísticas que dizem o contrário, mas os empregadores consideram que todo o nosso sistema de relações de trabalho só favorece o empregado, e torna a gestão do negócio, seja qual for, oneroso, complexo e ineficiente. Em outras palavras, os empregadores fazem o diabo para reduzir o número de empregados.

Cinco milhões de ações trabalhistas por ano mostram como o custo dessas ações é alto. Em resumo, o operário ganha pouco, e custa muito. E temos um sistema sindical que é oneroso, ineficiente e também prejudicial ao próprio operário. Ele, com raras exceções, engana, como todo sistema, com uma proteção falsa ao trabalhador, quando na realidade restringe o emprego de qualidade e com dignidade.

As juntas de conciliação, aliás iniciadas em Minas na FIEMG, ajudam a resolver as disputas. Mas, se o sistema como um todo não for revisto, e essa revisão depende da capacidade das lideranças empresariais e dos trabalhadores, a situação só vai piorar. Não adianta a CNI e outros pedirem ao governo que faça isso. Tem que sentar, discutir e propor ao Congresso e ao governo. Mas, temos lideranças para fazer isso?

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