Friday, 19 February 2016

DO PATRIARCA RUSSO

DO PATRIARCA RUSSO

As visitas de chefes de estados e governos são frequentes no Brasil. Mas, visitas de chefes religiosos, nem tanto. Assim, a visita do Patriarca Kiril, chefe de Igreja Ortodoxa Russa, vindo no avião do Presidente Putin, com uma delegação numerosa, é um evento. Ele foi primeiro a Havana, que já tinha visitado antes, e lá se encontrou com o Papa Francisco no dia 12 de fevereiro. O encontro de “irmãos", como diz o comunicado dos dois, foi histórico. Desde a separação das duas igreja, há mil anos, o patriarca e o papa não se encontravam. O comunicado emitido após o encontro é um documento valioso para entender o mundo de hoje. Não fala só de uma aliança  religiosa que precisa ser feita contra o islamismo e os massacres de cristãos no Oriente Médio, mas também, entre outras coisas, da guerra na Síria e  no Iraque, do Oriente Médio irrequieto, e da expansão das outras crenças radicais que ameaçam os cristãos. E também da alegria pela expansão da liberdade religiosa nos antigos países socialistas da Europa Oriental, onde hoje a fé cristã, através da recuperação do poder dos religiosos e dos seus bens, cresce.

O Patriarca visitou também o Paraguai, mas antes reabasteceu o avião em Punta Arenas, no Chile. De lá foi à base russa na Antarctica, onde visitou a única igreja que existe naquela imensidão branca. Viu os pinguins e abençoou os exploradores russos que estão lá já há 200 anos. Em Assunção, teve recepção de chefe de Estado, aliás o que também aconteceu no Brasil. No Rio de Janeiro festejou os 95 anos da chegada dos primeiros 1217 imigrantes  russos ao Brasil. Encontrou também o Arcebispo Católico do Rio, D.Orani. 

Na capital paulista, após uma missa na Igreja Ortodoxa, com direito ao coral que acompanha a Sua Santidade na viagem, encontrou o Governador do Estado de São Paulo. E visitou a comunidade ortodoxa russa. Em Brasília, o encontro foi com a Presidente do Brasil. Tudo organizado como manda o figurino, no mais alto nível.

O Patriarca de Moscou e da Rússia é parceiro do governo do Presidente Putin. A viagem dele agora, e outras, são parte da política externa russa como nunca antes. Não ha divergência. É soft power em marcha. Contra o islamismo, contra os inimigos da Rússia e agora em Santa Aliança com o Papa Francisco. É um mundo mais uma vez em mudança.

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