Sunday, 15 November 2015

DA LICAO DA LAMA DE MARIANA 1

DA LIÇĀO DE LAMA DE MARIANA

A tragédia do rompimento das barragens em  Mariana, cujas dimensões humanas ultrapassam qualquer dimensão econômica, ambiental ou financeira, não pode ser nem esquecida e nem relevada ao plano que um secretario do governo Pimentel disse, que a empresa fez tudo para evitar a tragédia. Vale a pena lembrar os versos de poeta Carlos Drummond de Andrade  que disse em Lira Itabiriana

O Rio? É doce.
A Vale? Amarga.
............
Entre estatais
E multinacionais,
Quantos ais
......
Quantas toneladas
Exportamos
De ferro?
Quantas lágrimas disfarçamos
Sem berro?

Bem, nos fomos as minas gerais do Brasil. Estamos no limiar de um novo paradigma de desenvolvimento, meio atrasados, onde efetivamente temos que conciliar o respeito ao homem, às futuras gerações e ao meio ambiente. E conciliar tudo isso com desenvolvimento social e econômico. A ruptura em Mariana foi a de um modelo de desenvolvimento mineiro acelerado para o abismo, com preços altos de minérios no passado recente, e com queda dos mesmos nos dias de hoje. E principalmente por  falta de uma diálogo entre todos os envolvidos para estabelecer um novo modelo. E, nesse particular, por falta de lideranças políticas que soubessem liderar o estado para um desenvolvimento de fato sustentável. Os governos recentes só se interessam em arrecadação, aliás  o que também só interessa a certa classe mineradora.

Como no nível  local, da prefeitura, essas lições podem ser aprendidas para evitar perda total das cidades, como aconteceu em Mariana. Em primeiro lugar, vale a pena lembrar que em Mariana brigas políticas locais levaram a mudanças de prefeitos absolutamente inaceitáveis para a gestão de qualquer lugar no mundo. Certos ou não, sete prefeitos passaram em alguns anos, com direito inclusive a assassinatos. Ou seja, onde brigam os políticos,  o poder público perde a força regulatória e as empresas têm espaço livre para atuar.

Dois: quando você tem no município uma empresa grande, boa e eficiente, você depende dela. E especialmente se essa empresa tiver o comando fora do município. Sua cidade é peão num jogo que você não domina. Um exemplo interessante é que os prefeitos de onde a Gerdau tem usinas, na sua maioria não estiveram em Porto Alegre, onde é a sede da empresa e muito menos foram recebidos pelos principais executivos. Eles não têm valor, com todos os  programas que dizem que existem, para o diálogo construído de algumas empresas.

Três: fundamental será fortalecer empresas locais e fazer planejamento a longo prazo. E ter a capacidade intelectual para diversificar a economia local. E não se subjugar a um ator só ou a um setor só. É hora de mudar o modelo, no município e no estado, ex minas gerais.

STEFAN SALEJ

15.11.2015.

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