Thursday, 10 September 2015

DA ZONA DE REBAIXAMENTO

DA ZONA DE REBAIXAMENTO

Precisando de uma boa notícia na área econômica internacional, o rebaixamento  para zona de valor não confiável, ou  junk, da economia brasileira, feita pela agência de avaliação de risco S&P, caiu feito luva para o Ministro da Fazenda brasileiro. A avaliação, que foi feia, põe o dedo na ferida e diz tudo o que precisava ser dito para que os políticos, e em especial o Congresso, tomem jeito e votem o ajuste fiscal como proposto pelo governo.

E como toda moeda tem dois lado, esse é um lado. O outro é  que a mídia nacional só faltou repetir a americana CNN quando anuncia com fanfarra o início de algum ataque norte-americano pelo mundo. Brasil rebaixado! Que vergonha. Estamos em companhia da Hungria, membro da União Europeia, Rússia e Indonésia, aquela que tem pena de morte para os narcotraficantes. Não é que a imprensa do mundo inteiro tenha deixado de noticiar o fato. Muito pelo contrário, todos noticiaram e analisaram. E como diria Dada Peito de Aço, vem mais chumbo por aí.
As  outras duas agências, Fitch e Moody, também vão fazer as suas  avaliações. E não devem ser muito diferentes da que foi feita pela Standard and Poor. E daí vêm avaliações de governos estaduais e municipais, das empresas, bancos  e provavelmente todos vamos para a zona de rebaixamento.

Mas vale a pena lembrar que nada disso é novo e qualquer analista sério já esperava esse rebaixamento. As agências, que são empresas privadas porém independentes, já foram condenadas nos Estados Unidos e muito criticadas pelo mundo afora, pelas suas avaliações erradas e tendenciosas. Pode não ser esse o caso do Brasil, mas o fato é que uma avaliação dessas agências mexe muito com o mercado, aumenta os juros nos empréstimos e todas as outras operações do Brasil no exterior. O Brasil, por essas análises, torna-se um risco que, mesmo tendo uma reserva cambial de 376 bilhões de dólares, e que representa dez vezes o endividamento externo, continua indesejável para os investidores. Em resumo o rebaixamento não é coisa boa e a esperança é que pare por aí e o país resolva seus problemas e volte a crescer.

Para o povo que suando ganha seu dinheirinho, isso quer dizer eventual aumento de custos,  dificuldades ainda para arranjar emprego e a eterna lembrança  de um ano atrás de perder para  a Alemanha de 7:1.Isso sim que foi rebaixamento que todo mundo entende. Qualquer semelhança entre os dois é mera coincidência.

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