Sunday, 14 September 2014

O novo governo europeu

Da nova direção européia

Após as eleições para o Parlamento europeu em maio, está se formando está semana a Comissão Européia, uma espécie de ministério europeu. O primeiro nomeado foi o Presidente do Conselho, que representa os dirigentes dos países europeus. O escolhido foi o Primeiro-Ministro da Polônia, Donald Tusk, tendo como madrinha Angela Merkel, Primeira-Ministra da Alemanha. Ela também, apesar da forte oposição dos britânicos, ajudou o ex-Primeiro-Ministro de Luxemburgo, Jean Paul Juncker, a tornar-se Presidente da Comissão Européia, que é uma espécie de governo da UE. E ainda tem o importante cargo da Representante para Assuntos Exteriores, Chanceler da UE, mas com muita independência, que foi para a jovem Ministra do Exterior da Itália, Federica Mongherini.

Juncker apresentou estes dias os comissários e disse que foram escolhas pessoais e que ele assume a responsabilidade sobre os candidatos que terão que ser aprovados ainda pelo Parlamento europeu. A grande novidade na equipe que substituirá o time de fracasso do português Barroso é a grande presença de mulheres, a idade média de 53 anos e  que entre eles estão 18 ex-primeiros ministros e ministros dos governos membros  da UE. E criaram 7 cargos  de Vice-presidentes que serão responsáveis por diversos setores. O sistema prevê que cada país indica um candidato a cargo de comissário e, na verdade, Juncker tinha pouco espaço político para recusar os candidatos. E assim, não estão lá o que a Europa tem de melhor, mas políticos que  não fazem mais carreira no seu próprio país e ganham de prêmio um posto de prestígio em Bruxelas, com vantagens e salários que nunca tiveram.

A composição da Comissão européia tem poucos nomes mundialmente conhecidos ou reconhecidos. Por exemplo, a Alemanha ganhou a agenda digital, a França mandou para Bruxelas o ex-Ministro da Economia, após um tremendo fracasso no seu próprio país, a Eslovênia  ganhou, com sua ex-Primeira-Ministra, o portfólio de energia e o Reino Unido, o de estabilidade financeira. Os espanhóis, cujo candidato é um íntimo do lobby energético ibérico, ganharam o setor de meio ambiente e o mercado de energia. A raposa cuidando do galinheiro, segundo alguns deputados europeus.

As escolhas dos comissários pelo experiente Juncker não dizem muito o que o Brasil pode esperar. Se essa comissão conseguir aumentar o emprego e diminuir a crise, o Brasil se beneficia. Fora do próprio Juncker, ninguém conhece o Brasil na comissão como ele. Ele também conhece bem Minas Gerais, porque foi na época dele como Ministro das Finanças e depois Primeiro-Ministro de Luxemburgo, que os luxemburgueses venderam a ARBED, que era dona da Belgo-Mineira.

Diz a imprensa européia que essa é uma comissão de políticos e não burocratas. Mas quem manda na União Européia são os burocratas. As esperanças de que a crise européia acabe são esperanças e não é só armar, como fez Barroso, ou desarmar, como terá que fazer Juncker, o conflito com a Ucrânia, que é um problema. É como fazer uma união dos 28 países à véspera de alguns, como os escoceses e catalães, saírem dessa união. Portanto, é visão que falta, não gerencia.

Stefan B. Salej

11.9.2014.

1 comment:

  1. O problema de falta de visão, me parece, não é prerrogativa apenas europeu. Desde que o grosso do capital foi direcionado para o oriente, parece que o ocidnte criou uma nova camada na complexidade dos problemas a serem resolvidos.
    Que fazer? Simplesmente não tenho opinião.....

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