Thursday, 19 June 2014

Dos corruptores gringos


Empresários mineiros que venderam a sua empresa após 40 anos navegando nas águas  turvas do mercado brasileiro a um grupo espanhol orgulhavam-se e achavam que um dos ativos mais importantes da empresa era a sua gestão transparente. Sem propina aos compradores, fiscais, ou seja quem fosse, era um ativo importante para eles. E os espanhóis, com aquela franqueza ibérica glacial, chamaram os mineiros simplesmente de idiotas por não saberem fazer negócios no Brasil, onde você corrompendo, principalmente na área elétrica, pode ganhar mais dinheiro do que em qualquer outro país!

E esta semana, pela primeira vez, a União Européia, oficialmente declarou que, em todos os seus membros, existe corrupção. E que traz prejuízos em mais de 360 bilhões de reais ao ano aos seus contribuintes. Acabou-se o cinismo de dizer que a corrupção, e em especial no setor público, é privilégio dos sub-desenvolvidos. Mas, não acabou de todo porque a imprensa  européia quase não falou desse estudo de 41 páginas e a funcionária da União Européia foi enfática ao declarar que isso é só o inicio e que medidas práticas ainda serão tomadas. A maior parte desse processo corruptor acontece nas áreas de saúde, construção civil e desenvolvimento urbano e na de telecomunicações. Portanto, até nesse ponto os europeus estão se desenvolvendo bem.

E aí lembramos das estórias dos primeiros portugueses chegando ao Brasil, já oferecendo bugigangas aos nativos. E daí em diante, os que vieram trouxeram práticas que, justiça seja feita, também encontraram terra fértil na Brasilea, que foram só sendo aperfeiçoadas. O caso mais recente de duas empresas européias, Alstom e Siemens, é só a ponta do Icebergue da contribuição nessa área que trouxeram para Brasil. É comum achar, como aqueles espanhóis que se implantaram aqui, que no Brasil só se ganha dinheiro com corrupção. Mas se esquece que, sem os corruptores, não há corruptos.É incrível que as empresas cujos governos são mestres em dar lições de moral sobre como o país deve combater a corrupção, exercem práticas que lá são ilegais, com a maior tranqüilidade, no Brasil.

Agora o cinismo só vai aumentar, porque os europeus podem, com  exceção dos alemães que hoje já possuem uma  legislação que proíbe as empresas atuando no exterior de pagar propinas, corromper fora dos seus países. A nova legislação brasileira é um grande avanço quando aplicada direito. Mas, o que de fato falta muito e muito mesmo é, que em vez de termos medo dos corruptos, enfrentemos também os corruptores. E ai, não tem nacionalidade nem origem. Quem sabe com isso em vez dos empresários criticarem que há corrupção, adotem o NÃO em todas as suas formas e conteúdos. Inclusive na política.


Stefan B. Salej
5.2.2014.


 

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