Thursday, 19 June 2014

Do rearanjo geopolítico

Quando caiu em 1989 simbolicamente o Muro de Berlin, houve a impressão de que, após alguns anos de nova divisão, principalmente da Europa, haveria tranqüilidade e paz por séculos. Os movimentos de hoje em dia na Ucrânia só mostram que isso não aconteceu durante esses anos todos e que vivíamos numa ilusão de ótica geopolítica que está custando caro ao mundo.

Primeiro, o comunismo que dominava a União Soviética saiu da cena para ficar nos bastidores e voltar em outras formas após 22 anos. Dois, o maior país do planeta e mais bem-sucedido nas últimas décadas, dominando a economia mundial, China, continua comunista. E, com ela, o Vietnã, que derrotou no século passado tanto a França  como os Estados Unidos. E os governos de esquerda ganharam um espaço na América Latina de fazer inveja a qualquer golpista de direita do século passado.

Mas, esses países mudaram seus modelos econômicos e conseguiram a proeza de, na maioria das vezes, consolidar um sistema político sui generis. Ou seja modelaram com maior ou menor sucesso um modelo político diferente dos que prevaleciam no século passado, desembocando em uma nova realidade. E aí, os Estados Unidos, que deram a impressão de que, com a  queda do Muro de Berlin, ganharam a batalha contra o chamado comunismo, acharam-se, como poucas vezes aconteceu na história, sozinhos, dominando o mundo. E, com isso, permitiram-se não só invadir o Iraque, mas também o Afeganistão, incentivar a primavera árabe, que  virou um inferno das Arábias, notadamente na Síria e na Líbia, além da instabilidade no Egito. Foram assim avançando nos territórios e nas políticas internas de outros países, em nome de valores democráticos e mais, talvez aí com certa dose de justiça,  na luta contra um novo inimigo, espalhado pelo mundo, invisível  mas presente nas ações terroristas, Al Qaida.

Se a isso juntarmos uma total preponderância do  sistema financeiro que provocou crises econômicas brutais, só podemos dizer que temos nos acontecimento na Ucrânia, cujo fim está difícil de prever, não só um  mundo conturbado, mas perigosamente perturbado. Primeiro os Estados Unidos avançaram e tomaram os territórios, anexando países à OTAN, invadindo  e deslanchando crises financeiras. Agora, os russos continuam, após a Geórgia e a Ossetia, seus avanços sobre a Ucrânia. E a União Européia está perplexa, aguardando, no mesmo dia que haverá eleições na Ucrânia, as eleições para o Parlamento Europeu.

O Brasil está onde sempre esteve. De um lado, avantajado por estar longe desses conflitos, de outro lado, de sobreaviso porque eles podem abalar a economia doméstica de tal forma que vamos precisar de muitos anos para nos recuperar. Se correr o bicho pega, se ficar o bicho come. E agora, o que fazer?

Stefan B. Salej
17.4.2014.

 

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