Thursday, 19 June 2014

Do chavismo imaduro

O primeiro aniversário da morte do Comandante Hugo Chavez, ex-Presidente da Venezuela, foi comemorado dentro do melhor estilo de quem não reconhece a grave situação que o país vizinho ao Brasil vive: falta de alimentos nas prateleiras e cozinhas, manifestações que já produziram 16 mortes, centenas de feridos,  ainda sem fim, e um discurso do Presidente Maduro cheio de ataques a todos e todas e, em especial, imaginem a quem: ao Panamá. Em resumo, se o  governo venezuelano acha que o Panamá, que pediu uma reunião especial sobre a crise no país na Organização dos Estados Americanos, é um perigo, temos uma situação de miopia política grave.

A situação e os conflitos venezuelanos estão crescendo e nada indica uma solução a curto prazo. O mundo esta olhando para a Ucrânia que, apesar de não ter o petróleo que a Venezuela possui, é um caso que afeta o equilíbrio mundial. Mas a Venezuela, com seu desequilíbrio, afeta em muito as Américas, o continente onde está o Brasil. Os Estados Unidos ainda recebem muito petróleo de lá e, ao sairem do inverno rigoroso, diminuem a pressão no fornecimento venezuelano. Até recentemente, apesar de toda a retórica, as relações petroleiras entre os dois países não apresentavam problema. Efetivamente, os Estados Unidos não estavam felizes com Chavez, mas também não conseguiram tirar ele de lá.

Com a invasão russa e, dependendo da solução da crise na Crimea, a eventualidade de  intervenção militar ganha novos contornos. A chance de os americanos invadirem Caracas é pequena, mas outras formas de intervenção ganham asas. E a questão mais importante é que Chavismo, chamado oficialmente de Bolivarismo, fracassando onde foi concebido, leva com ele toda a onda de esquerda que se espalhou pela América Latina em várias formas. E se um sistema político não consegue, com os recursos financeiros vindos do petróleo que tinha a Venezuela, manter a estabilidade econômica e o bem-estar social, como será um exemplo para outros? Sem falar nos laços entre Havana e Caracas. Não há duvida alguma de que o controle das forças de inteligência e segurança da Venezuela hoje pertence aos cubanos.

O pior cenário, no país vizinho, é de instabilidade  e piora da situação econômica. Quanto pior, melhor para os opositores do Chavismo, seja em casa ou no exterior. Mas, quanto pior, é muito ruim para Brasil, para quem Caracas deve muito, mas muito dinheiro. E mais, perturba todo o Mercosul, onde a Venezuela entrou empurrada por Brasília. E um mercado razoavelmente bom para produtos brasileiros está desaparecendo. Em acontecimentos do passado, o Brasil soube exercer sua parceria, que deu estabilidade à região. E no ano de Copa, eleições e outras crises, saberá fazer isso?


Stefan B.Salej
6.3 .2014.








   

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