Thursday, 19 June 2014

De Bruxelas a Caracas

Os estadistas se reúnem para avançar nas relações entre os países. Assim foi a reunião dos presidentes dos Estados Unidos e França, novamente a do francês e líder do governo alemão, em conjunto com os ministérios dos dois países, e a reunião dos líderes dos países que compõem o NAFTA, o acordo de livre comércio dos países do Norte das Américas, que faz 20  anos, Estados Unidos, México e Canadá. E sem falar nas reuniões que não decidem nada, mas avançam, que são sobre energia atômica no Irã e conversações sobre paz na Síria em Genebra.

Mas, terminam os jogos olímpicos de inverno, sem maiores acidentes e um desastre esportivo para Rússia, que foi eliminada no esporte rei dos invernos, o hóquei no gelo. E como pano de fundo, a violência continua na Ucrânia, onde se definham os interesses ocidentais no  território  geopolítico russo. E, na nossa vizinhança, irrequieta Venezuela, que deve ao Brasil uns 30 bilhões de dólares. Além das já quase tradicionais disputas africanas como as do Mali, República Centro Africana e Sudão do Sul.

Tudo isso é pano de fundo rosa para a Cúpula Brasil - União Européia, com a reunião empresarial e a presença da Presidente brasileira em Bruxelas, após o encontro com o Papa Francisco. Ao final da Cúpula do ano passado em Brasília, na declaração final dessa parceria estratégica, falou-se de tudo em 47 artigos. E dizem que quando se fala muito, não se diz nada. Este ano, quando haverá eleições européias e os interlocutores como o português Barroso, de direita, vão desaparecer do palco, o foco será o acordo de livre comercio entre o Mercosul e a UE. Os europeus avançaram em muito em negociações com os Estados Unidos e mais: querem fazer um acordo com Cuba, amplo, geral e irrestrito. Os dois acordos afetam profundamente Brasil e, por enquanto, para pior.

O acordo entre o Mercosul, que desde 1995 se tenta negociar com a União Européia, não depende de lista de produtos e sua desoneração, mas de estabilidade política e econômica do próprio bloco sul-americano. E portanto, mesmo que, com cinismo ímpar,  os europeus ameacem de retaliações contra Brasil, devido aos  incentivos da Zona Franca de Manaus, da qual usufruíram e muito, o problema passa a ser a Venezuela, onde a instabilidade democrática do continente está passando dos limites. Como estão unidos os dois, Estados Unidos e União Européia , em mudarem o regime  na Ucrânia, não tenha dúvida de que, em princípio, nenhum dos dois blocos quer a continuidade do fracasso do Chavismo. Derrubado na Venezuela, cai o bolivarismo na América Latina.

A negociação da lista que será facilitada por acordo entre a  Argentina e Espanha, no caso de nacionalização da petroleira Repsol, é marginal mas fundamental do ponto de vista técnico. A estabilidade econômico-financeira e, não no final, democrática dos membros do Mercosul é que vai ter que ser explicada para os europeus que, por outro lado querem tirar, com a fraqueza do bloco, o couro dos latino americanos.

Stefan B. Salej

20.2.2014.
 

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