Thursday, 4 October 2012

DAS NACOES UNIDAS



Das  Nações Unidas

As duas notícias  se repetem todo setembro. A primeira é que um grupo privilegiado de parlamentares  brasileiros vai fazer as compras de Natal antecipadas em Nova Iorque. E as despesas de viagem, de valores astronômicos,  são pagas pelo contribuinte. E a justificativa para esse passeio maravilhoso é a participação na Assembléia Geral da ONU.

A segunda noticia é que a Assembléia é aberta tradicionalmente pelo Presidente do Brasil e no ano passado a  Presidenta Dilma foi a primeira mulher na história da Organização a abrir o evento. Os chefes de Estado e de Governo usam a tribuna da ONU, hoje presidida pelo Ministro sérvio dos Negócios Estrangeiros, para expor suas visões sobre problemas mundiais e também para agradar seu eleitorado. Neste ano, pelo menos três  temas vão dominar debates: a situação na Síria, o armamento nuclear do Irã e a crise econômica, principalmente na Europa. Um quarto tema recorrente é a situação na Palestina.

Nos dois primeiros temas, Síria e Irã, a ONU mostra toda sua incapacidade de agir. Massacre sem fim, incentivado pela introdução da chamada democracia ocidental, que no fundo esconde os interesses  econômicos  ocidentais, e vetos da Rússia e da China contra qualquer solução pacifica, representam uma vergonha para o mundo de hoje. Morrem inocentes e mais inocentes e a organização que foi criada para resolver ou até evitar estes conflitos, não consegue evitar uma morte sequer.

A construção de bomba atômica iraniana, com fim específico de destruir Israel aos olhos nus da humanidade e da própria ONU, é outro atestado de  incompetência e impotência da ONU. O mundo espera, como aconteceu na véspera da Segunda Guerra Mundial, que exploda o conflito, e depois limpa o sangue. O problema da construção de bomba atômica iraniana, não é só Israel, mas a mudança de equilíbrio mundial através de uma arma terrível.

A questão palestina é de difícil solução, mas será ainda mais difícil de ser solucionada sob a égide da crise no mundo árabe ou o vendaval imprevisível da primavera árabe e a ameaça iraniana. E  crise européia? Tem que ser solucionada, mesmo alguns perdendo muitos anéis. No fundo, é uma disputa dentro do sistema capitalista entre o setor financeiro incontrolável e a sociedade. E ainda fica a pergunta, para que serve ONU, além da desculpa de nossos parlamentares para fazer compras em Nova Iorque?

Há muitos trabalhos positivos das agências especializadas  como a UNESCO, UNICEF, de refugiados, de direitos humanos e outros. Mas é fundamental para o futuro do mundo que a ONU se reforme, e em especial seu Conselho de Segurança. Sem reforma, a organização perde seu valor básico, que é promover a paz e o desenvolvimento.

Stefan B. Salej

25.9.2012.

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